O drama de milhares de ribeirinhos no Noroeste do Estado e da Região Serrana do Rio é a primeira conseqüência direta da ocupação desordenada das áreas próximas ás calhas dos rios ao longo da colonização do Brasil, pois rios e canais foram as primeiras "estradas" utilizadas pelos colonizadores em direção ao interior do País. A segunda razão dessa preferência foi a necessidade de obter água potável e escoamento dos esgotos dos moradores das vilas e cidades que surgiam. Até hoje, rios como Meriti, Sarapui, Iguaçu e Pilar servem como escoadouros de esgotos "in natura" em direção á Baía da Guanabara.
Com o crescimento dos núcleos urbanos, o Poder Público se viu obrigado a buscar a água em pontos distantes, como ocorreu com as represas de Xerém, que por muitos anos abasteceram o Rio de Janeiro. Hoje, a Baixada depende da água desviada do Rio Paraíba na altura de Pirai, que chegam à Estação de Tratamento do Guandu antes de serem distribuída pela Região Metropolitana. Como esse serviço é estatal, depende de decisões políticas dos nossos governantes, a quem cabe a tarefa de decidir se a prioridade é a Barra da Tijuca e a Zona Sul da Capital, ou os confins da Baixada, como Duque de Caxias, Belford Roxo, Mesquita, Nilópolis e Nova Iguaçu. Desde 1988, o Governo do Estado colocou em prática um Plano de Despoluição da Baia de Guanabara, juntando a ampliação de uma rede de esgotos tratados ao fornecimento de água potável, uma combinação para garantir a qualidade de vida e a defesa do meio ambiente. E a Ceda é a responsável pela execução do projeto, que recebeu financiamento de US $ 300 milhões de dólares de um banco de fomento do Japão.
Uma das obras desse projeto, um novo reservatório no bairro 25 de Agosto, precisou de 12 anos para ser concluído - Governos Marcello Alencar, Garotinho e Rosinha Matheus - e inaugurado mas, até hoje, a cidade não sabe para onde vai os 14 milhões de litros de água do reservatório. Enquanto isso, a falta d'água começa a afetar a principal indústria, a da construção civil, geradora de milhares de empregos diretos e indiretos no município. Desde o II trimestre de 2011 estão sendo entregues dois empreendimentos nas imediações da Praça da Maçonaria, com a construção de 300 apartamentos de luxo. Até hoje, o abastecimento a esses moradores é feito por carros pipas, pagos pelas construtoras, pois a Cedae ainda não realizou a indispensável ligação dos dois conjuntos à rede distribuidora simplesmente porque não tem água para oferecer a mais essas 300 famílias.
Enquanto falta agilidade empresarial à Cedae, a ex estatal CEG realizou, em pouco mais de dois meses, a ampliação da rede de gás canalizado na mesma área, visando os novos consumidores. Como outros empreendimentos estão em fase de implantação na região, inclusive um novo apart hotel, a falta de disponibilidade de água poderá arrefecer o ânimo dos empreenderes que vêem em Duque de Caxias um mercado de grande potencial na área de construção civil.
Não custa lembrar que uma tecelagem de linho e de fabricação de botões de madrepérola deixaram a cidade no início dos anos 60 justamente porque faltava... água!


