A Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou 15 laboratórios que trabalham no desenvolvimento de uma vacina para o Zika. A informação, divulgada sexta-feira (12), é da vice-diretora Marie-Paule Kieny, encarregada do departamento de Sistemas de Saúde e Inovação da entidade. De acordo com a OMS, a vacina para o vírus Zika, que pode estar relacionado com casos de microcefalia e problemas neurológicas, não vai estar disponível para ensaios clínicos antes dos próximos 18 meses. “Apesar do cenário encorajador, as vacinas vão demorar pelo menos 18 meses para poderem estar prontas para um ensaio [clínico] em larga escala", disse Kieny.
A OMS declarou, no início de fevereiro, emergência de saúde internacional devido à possível relação entre os casos de microcefalia em recém-nascidos registrados no Brasil com o vírus Zika, apesar de declarar que esta ligação ainda não foi provada cientificamente. Transmitido pela picada de mosquitos Aedes aegypti, o Brasil é o país mais atingido no mundo pela epidemia de Zika, com 1,5 milhão de doentes e três mortes confirmadas, seguido da Colômbia (22,6 mil casos).
PARCERIA - O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse no dia anterior que uma parceria firmada entre o Instituto Evandro Chagas, no Pará, e a Universidade do Texas, nos Estados Unidos, possibilitará o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Zika. Após a etapa inicial de desenvolvimento, a vacina ainda precisa passar por testes clínicos para, em seguida, começar a ser produzida e disponibilizada à população. Essa fase deve durar mais dois anos, totalizando três anos e meio para que todo o processo seja concluído. Durante entrevista coletiva, o ministro destacou que a experiência de ambas as instituições no ramo das chamadas arboviroses (doenças causadas por vírus semelhantes ao Zika, como dengue, chikungunya e febre amarela) pode ajudar a reduzir o prazo para a formulação da vacina, já que o cronograma oficial de trabalho prevê o desenvolvimento das doses em dois anos.
O investimento brasileiro na parceria com os Estados Unidos, segundo ele, é de US$ 1,9 milhão para os próximos cinco anos. “Há um grande otimismo de que poderemos desenvolver essa vacina em um tempo menor do que o que estava previsto. Aproximadamente, dentro de um ano, poderemos ter a vacina desenvolvida, podendo ser menos. Depois, vêm os testes e ensaios clínicos e a produção da vacina para poder ser comercializada e aplicada", ressaltou Castro.
Uma mobilização nacional de combate ao Aedes aegypti aconteceu sábado (13), integrada por 220 mil militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica às ruas. Os militares distribuíram material impresso com orientações para a população sobre como manter a casa livre dos criadouros do mosquito. O Aedes aegypti é vetor da dengue, da febre chinkungunya e do vírus Zika, que pode causar microcefalia em bebês. (Agência Brasil)
Ministro diz que zika não vai impedir
vinda de atletas aos Jogos do Rio
O ministro do Esporte, George Hilton, disse quinta-feira (11) que o governo brasileiro não teme que atletas que devem participar dos Jogos Olímpicos do Rio 2016 desistam de vir ao Brasil por causa da epidemia do vírus Zika. Os Jogos do Rio começam em 5 de agosto. Nos últimos dias, circularam informações de que os comitês olímpicos de alguns países deixariam seus atletas à vontade para decidir se participariam ou não da Olimpíada do Rio. Na terça-feira anterior (9), porém, o comitê norte-americano negou que tenha feito tal comunicado às federações esportivas dos Estados Unidos.
O ministro disse que, na próxima semana, o Comitê Olímpico Brasileiro vai se reunir com as federações internacionais para buscar conscientizá-las sobre os cuidados com o mosquito Aedes aegypti, mas que “não há possibilidade" de os atletas deixarem de vir ao Brasil. “Definitivamente, a Olimpíada está garantida e será um grande evento. É um trabalho de conscientização inclusive das lideranças das federações internacionais, está todo mundo mobilizado. Não é um problema do Brasil, isso é um medo do mundo, e todos estamos cientes da responsabilidade, mas nada que comprometa o grande espetáculo", disse o ministro após participar de reunião no Palácio do Planalto sobre o combate ao vírus Zika.
Segundo Hilton, se algum atleta for infectado pelo Zika durante as competições, terá “toda a assistência" das autoridades brasileiras e tratamento no país. (ABr)


