Segundo estudo iniciado em 2010 pela AVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária - em cada 4 amostras de frutas, legumes e verduras analisadas, pelo menos uma tinha elevado grau de contaminação por agrotóxicos, com nomes esquisitos, mas mortalmente perigosos, como organofosforado, piretroide, benzimidazol, metilicarbamato de oxima, dicarboximida, ditiocarbamato, clorociclodieno e primidinil carbinol, todos de uso proibido no Brasil!
A denúncia, que não chocou as autoridades do Ministério da Saúde, muito menos o da Agricultura ou as chamadas redes sociais, chapas brancas, ou não, foi feito na última quarta-feira (13) pelo engenheiro florestal Tasso Azevedo em artigo publicado em um grande jornal carioca. Segundo o articulista, o produto mais contaminado por agrotóxico é o simpático e inofensivo pimentão, seguido pelo tomate, presentes como tempero em diversos pratos da culinária brasileira, em saladas, carnes e molhos para carnes de todos os tipos. Ambos são ricos em sais minerais (potássio, fósforo, cálcio e sódio)., além de conter vitaminas A, C e do Complexo B.
O valor alimentício do pimentão e do tomate é anulado pelo excesso de agrotóxicos, mesmo os aprovados pela Anvisa, utilizados na lavoura quer por falta de fiscalização das Secretarias de Agricultura de Estados e Municípios, quer pelo uso de produtos importados irregularmente (contrabando), cujos efeitos nocivos não foram analisados pelos técnicos da Anvisa ou do Ministério da Agricultura. Segundo a própria Agência, o uso excessivo do agroquímicos não afeta tão somente a qualidade dos alimentos, mas tem consequência na contaminação dos rios e lagos, do solo e dos trabalhadores que utilizam esses produtos sem qualquer orientação ou proteção, como luvas, botas e até roupas especiais do tipo utilizado pelas brigadas antincêndio.
Na mesma forma que as autoridades não reprimem a venda de animais silvestres nas feiras livres, também não fiscalizam devidamente a produção e a venda de agrotóxicos. Segundo ainda o referido estudo, em apenas 30% das amostras foi possível identificar o produto ou a associação de produtores responsáveis pela sua comercialização.
Assim, mesmo que o Ministério Publico Federal abra uma investigação sobre o uso indevido de agrotóxicoa, não terá condições de identificar 70% dos produtores e, sem isso, não haverá punição. Esse seria o trágico crime perfeito, que só beneficia os fabricantes e comerciantes de agrotóxicos, pois o governo vem sendo leniente, como diria o Ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo, no combate ao processo de envenenamento da população brasileira num autêntico e silencioso holocausto! Até quando?


