- A Ordem só existe porque tem memória, tem história própria, porque em 1930 alguém a criou, os advogados brigaram pela liberdade durante a repressão. Só existe porque um homem, Celso Fontenelle, construiu um prédio para abrigá-la, um homem como Otávio Gomes criou o escritório compartilhado. Hélio Sabóia brigou pelas prerrogativas. Isso não é saudosismo, é memória, memória que a atual direção está tentando apagar. E nós não vamos permitir que isso aconteça. Vou trazer de volta a memória da Ordem, e só assim estaremos fortalecidos. O jovem advogado sem essa memória perde todo o seu valor.
O desabafo é da advogada Carmen Fontenelle, que concorre pela Chapa Azul - É você na OAB, para o triênio 2013-2016, durante entrevista exclusiva ao Capital. As eleições acontecerão no próximo dia 26. Comandando um conceituado e respeitado escritório especializado em Direito de Família, Carmen lembrou um pouco de sua carreira, iniciada como estudante em 1977, por conta de referências familiares - ela é filha e neta de advogados que se destacaram na profissão. A conclusão do curso aconteceu em 1981. Sobre o exercício da profissão, assinalou: “Eu respiro isso, não tem opinião da Carmen sem ser advogada. Como diz o Nilo Batista, a advocacia entrou no meu DNA e não há como separar isso".
- Criei dentro de mim uma identidade com o colega, eu olho pra ele e sei o que ele está pensando porque eu me sinto igual. Quando um advogado está sendo humilhado, todos os outros também estão sendo atingidos, existe uma teia, e isso é o que me preocupa. Hoje a Ordem dos Advogados está de costas para os advogados, não está interessada em nós - denuncia, e acrescenta: “A experiência me mostrou que mesmo o colega que está sentado do outro lado, porque naquele momento ele é meu ex adversus, se ele fizer o trabalho dele bem feito e eu fizer o meu bem feito, a justiça vai ser feita, o juiz vai nos respeitar e também vai fazer a parte dele. Acho que isso está sendo esquecido. A Ordem existe pra isso, para atenuar para voltar-se ao advogado, ao tema advocacia, esse é o trabalho dela".
FORTALECIMENTO - Carmen defende uma Ordem dos Advogados fortalecida, com condições de prestar um serviço institucional, como fez no passado, com o Movimento Fome Zero, a campanha das “diretas já", o “mensalão", “movimento que vem lá de trás, quando a entidade federal peitou, exigiu providencias". E continua: “Aqui no Rio temos uma questão em particular, que é o plano da CAARJ, com quase 40.000 inscritos, que a atual gestão resolveu passar para a Unimed. Existe uma dúvida na OAB fluminense: Foi vendido? Foi doado? Foi arrendado? E quanto custou? Ninguém sabe o que aconteceu. A verdade é que a CAARJ está sucateada - afirmou. “Sou candidata porque com a entrada da atual gestão, houve uma invasão política na Ordem. O advogado que quer fazer o seu trabalho e ganhar seu dinheiro, começou a ficar acanhado ao perceber que a Ordem foi ficando distante, porque os interesses dele passaram a se voltar contra ele mesmo, o advogado está desrespeitado e humilhado, entra no Fórum, o escrevente já o trata mal. Isso não pode continuar", concluiu Carmen Fontenelle.


