O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, confessou ao Ministério Público Federal que cobrava percentuais de empreiteiras enquanto era governador. O vídeo foi revelado pela TV Globo ontem (25/02).
Cabral está preso desde novembro de 2016, condenado a 197 anos e 11 meses de prisão. Esta foi a primeira vez que ele admitiu que recebeu propina durante suas gestões como governador. O depoimento aconteceu na quinta-feira (21/02). Sérgio Cabral mudou de advogado em janeiro último e ainda não firmou acordo de delação premiada.
Cabral falou de valores ilícitos supostamente pagos durante a reforma do Maracanã, desapropriação do Porto do Açu e Linha 4 do Metrô. Disse que recebeu propina das empreiteiras Queiroz Galvão e Odebrecht, e do empresário Arthur Menezes Soares Filho, o “Rei Arthur". A porcentagem que queria receber era definida pelo próprio Cabral conforme a obra, e depois avisava Regis Fichtner, que foi chefe da Casa Civil durante suas gestões e está preso desde 15 de fevereiro. O ex-governador, que classificou Fichtner como “primeiro-ministro" de seu governo, disse que cabia à Regis Fichtner negociar a propina com as empresas.
“Tudo comandado pelo Régis. Eu dava na mão dele. Dizia: eu quero assim, faz assim, ele ia fazendo, coordenando e tirando os próprios proveitos dele. Eu tirava os meus proveitos dos meus combinados, eu quero x% da obra, 2%, 3% da obra e o Régis fazia um acordo, se beneficiava também dessa caixa. E se beneficiava… que não me abria isso, tudo eu vinha a descobrir depois. ele fazia contrato na cara de pau, para a Queiroz, para a Odebrecht, para não sei o quê", disse. Cabral ainda afirmou que o esquema começou no início de sua primeira gestão, em 2007.
O ex-governador disse à Lava-jato que se recorda que Régis recebeu propina do setor de transportes e que em alguns casos eram prestados serviços advocatícios pelo escritório do ex-chefe da Casa Civil e os valores eram superfaturados para pagamento de propina. Disse ainda que em outros casos sequer havia prestação de serviços, havendo fabricação de contratos fictícios para recebimento de propina por meio do escritório.
Cabral afirmou que o "núcleo duro" do grupo era formado pelo ex-chefe da Casa Civil Regis Fichtner, o ex-secretario de governo Wilson Carlos, e o ex-governador Luiz Fernando Pezão.
Em nota à TV Globo, o escritório de advocacia de Regis Fichtner afirmou que, se o ex-governador fez tais declarações, elas “só podem estar servindo ao propósito de obtenção de benefícios ilegítimos de alguém que já foi condenado em inúmeros processos" e que “a defesa só vai se manifestar quando tiver acesso ao depoimento de Cabral".


