No próximo domingo, dia 31, os eleitores do município de Magé, surgido no Brasil Colônia, irão às urnas para eleger, para um mandato tampão que terminará em 31 de dezembro de 2012, um novo prefeito e o respectivo vice. Um a das primeiras Vilas surgidas no País recém descoberto, com a criação da Câmara de Vereadores e de uma cadeia pública, fato que, na época do descobrimento, definiam o grau de independência política dos vilarejos, a então Vila Estrela foi uma das primeiras a dispor de um porto de exportação de pau brasil, ouro e pedras preciosas extraídas em Vila Rica, atual Ouro Preto, em Minas Gerais.
Magé também foi o pioneiro na abertura de estrada para o acesso ao interior do País, que ligava Estrela a Vila Rica, inclusive da primeira estrada de ferro aqui construída pelo engenheiro e visionário Manoel Evangelista de Souza, entre o porto de Guia de Pacopaíba, atual Mauá, a Petrópolis, proeza que renderia ao seu idealizador o título de Barão de Mauá.
E a Vila Estrala se expandiu tanto que chegou a dominar a região que vai das margens do rio Meriti, na divisa com a cidade do Rio de Janeiro, atravessou a atual Baixada Fluminense, chegando até Juiz de Fora, a futura Manchester mineira.
Nas últimas décadas, Magé abandonou a liderança política da região e enveredou pelo perigoso caminho do populismo, que juntou o nepotismo e o patrimonialismo, que levaram a antes heróica Magé a um posto indigno de sua História, registrando-se ali, hoje, os piores índices de desenvolvimento econômico e social da Baixada Fluminense, principalmente em se tratando de Saúde, Educação e Saneamento Básico.
Assim, reproduz-se em Magé a mesma tragédia que vem afetando o Estado do Rio no mesmo período: os mais altos índices de violência, o aparecimento de milícias armadas, o fechamento de empresas e de postos de trabalho, como as dezenas de galpões abandonados na Avenida Brasil revelam.
Magé já foi um dos maiores produtores de farinha de mandioca do Estado, concentrados no Distrito de Suruí, de leite e carne bovina, contando inclusive com um Matadouro e chegou a sediar uma importante fábrica de locomotivas. Tudo isso foi destruído por uma sucessão de administradores que se aboletavam na principal cadeira do Paládio Anchieta, sede da Prefeitura, com o único intuito de usar o Tesouro para beneficio de uns poucos, geralmente portadores de sobrenomes famosos na política da região.
No próximo domingo, quando chegar até a urna eletrônica, o eleitor de Magé terá a oportunidade única de mudar essa situação. Será uma espécie de Plebiscito: manter a vida política e social de Magé nas mãos de uns poucos, como vem ocorrendo há pelo menos 30 anos, ou dar uma guinada de 180 graus e começar a mudar as coisas, elegendo um candidato que esteja comprometido não apenas com seu próprio futuro político, mas também, e principalmente, com o futuro de Magé, que já perdeu tanto nos últimos anos, inclusive o direito de exibir o “Dedo de Deus" como seu maior símbolo.
E não há tempo a perder, pois, se continuar na mesma batida, Magé corre o risco de assistir a um milagre às avessas: o Poço de Anchieta, famoso local de romaria que atrai muita gente à cidade durante o ano todo, poderá secar! Como seis chapas disputam o cargo de prefeito e vice, há que avaliar quem tem compromissos com o futuro, com o progresso, com o desenvolvimento econômico e social, com a distribuição da renda para todos (e não apenas paras os parceiros, sócios e familiares), num projeto ousado de reconstruir a cidade num verdadeiro mutirão.
E o eleitor mageense não pode esquecer, principalmente, que o eleito no domingo terá nova chance em outubro de 2012. Se errar neste plebiscito, o eleitor corre o risco de contratar um mau governo pelos próximos cinco anos!


