A polícia federal avança nas investigações sobre a lavagem de dinheiro atribuída ao presidente Michel Temer. A nova evidência encontrada pela Polícia Federal são transações imobiliárias em nomes de terceiros que dizem respeito a imóveis pertencentes à família Temer. Marcela Temer e o filho do casal são proprietários de alguns desses imóveis. A reportagem é da “Folha de S. Paulo" e foi publicada sexta-feira (27).
A investigação é um desdobramento das conexões entre Temer e seu operador, o coronel João Baptista de Lima Filho, cujo montante de propina repassada a Temer chega a R$ 2 milhões. Reformas também estão na lista de possíveis ilegalidades o horizonte judicial do emedebista e aí aparecem os nomes da filha Maristela Temer e da sogra, Norma Tedeschi. Maristela deverá ser ouvida pela PF ainda esta semana.
Maria Rita Fratezi, mulher do coronel Lima, teria repassado em dinheiro vivo a fornecedores, pagamentos de reforma de um imóvel pertencente à Maristela. Empresas como JBS e Engevix aparecem como possíveis fornecedores do dinheiro que serviu para os supostos pagamentos, em cruzamentos financeiros que remontam às campanhas eleitorais do MDB. Um dos sócios da Engevix, José Antunes Sobrinho, em proposta de colaboração, disse ter sido procurado por Lima com um pedido de R$ 1 milhão para a campanha do emedebista, também em 2014.
O SETOR PORTUÁRIO
Pela linha de investigação do inquérito em andamento, o esquema no setor portuário começou há mais de 20 anos e chegou até os dias atuais, ou pelo menos até o mês de maio do ano passado, quando o presidente assinou um decreto prorrogando contratos de concessão e arrendamentos portuários, beneficiando companhias ligadas ao MDB.
PRONUNCIAMENTO
O presidente Michel Temer, fez um pronunciamento de aproximadamente 15 minutos, transmitido pela TV oficial do governo, a NBR, na sexta-feira (27), em que afirmou que os ataques feitos recentemente a ele e à sua família são de natureza “moral" e não ficarão “sem resposta". “Sei me defender, especialmente defender minha família e meus filhos", destacou. Temer disse que sofre uma “perseguição criminosa disfarçada de investigação" e que, se pensam que vão derrubá-lo, “não vão conseguir".
- Não tenho casa de praia, não tenho casa de campo, não tenho apartamento em Miami, não tenho vencimentos e salários a não ser aqueles dentro da lei - ressaltou. Disse, ainda, que pediria ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann que “apurasse como se dão vazamentos irresponsáveis".
OUTRAS DENÚNCIAS
Michel Temer já foi denunciado por corrupção e por comando de quadrilha pela Procuradoria-Geral da República, mas ambas as denúncias foram arquivadas na Câmara. Agora, é investigado sob acusação de receber propinas, por meio de operadores, no setor portuário depois de ter renovado concessões de empresas com dívida com a União que a então presidente Dilma Rousseff se negou a renovar.


