Funcionando sob as vistas das autoridades municipais, o comércio clandestino de animais na feira dominical no centro de Duque de Caxias teve uma grande baixa no último dia 8. Policiais da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) resgataram 100 filhotes de cachorros que estavam à venda, privados de comida e água.
A operação da DPMA teve a participação das ONGs Paraíso dos Focinhos e Pata Amiga, alem de cuidadores autônomos de animais abandonados. Os filhotes, alguns com poucos dias de vida, estavam em um galpão da Rua Prefeito José Carlos Lacerda, muitos deles com poucos dias de vida. Eles estão sob a responsabilidade das ONGs até que a Justiça decida sobre a adoção dos mesmos. Enquanto isso não acontece, eles recebem tratamento veterinário.
Segundo os policiais, as 20 pessoas que estavam com os animais não apresentarem qualquer documentação que provasse a propriedade, nem mesmo a carteira de vacinação dos cachorros. Todos foram levados para prestar depoimento e foram autuados por crimes de maus tratos aos animais. Eles vão responder pelo crime em liberdade.
Henriette Soares, presidente da ONG, disse que os filhotes, que estavam dentro de um galpão, estavam expostos a muito calor. Segundo ela, três deles precisaram até ficar dentro de um carro com ar condicionado ligado para serem reanimados, uma vez que ficaram expostos durante muitas horas sob forte calor. As duas ONGs,que são mantidas apenas com doações de amigos e algumas empresas, informaram estarem lotadas de animais. A situação se complicou com a chegada dos novos “hóspedes". Por isso, pedem ajuda com doação de dinheiro ou alimentos, através do site www.vakinha.com.br ou do telefone 21-96957-9385.
Batidas costumam acontecer somente após denúncia da imprensa ou ONGs
A feira clandestina de animais é sem dúvida um comércio muito rentável e funciona abertamente diante das autoridades. O comércio não funciona apenas em recintos cobertos, muitos animais são vendidos a céu aberto, na Rua Prefeito José Carlos Lacerda e adjacências. Como a Prefeitura parece ignorar o problema, os vendedores não se preocupam em disfarçar o comércio, devido à habitual ausência de fiscais da Secretaria de Meio Ambiente e de agentes ambientais da guarda municipal. As ações de fiscalização, quando ocorrem, são feitas por órgãos de proteção ambiental, como o Inea e o Ibama, ou do Batalhão Florestal da Polícia Militar e delegacias especializadas.
Os traficantes de animais silvestres agem com desenvoltura na feira, onde o público encontra praticamente tudo o que procura, desde pássaros silvestres a filhotes de tartarugas. As operações geralmente acontecem após denúncias de órgãos de imprensa ou de ONGs. Passados alguns dias, porém, o comércio clandestino volta ao normal. Muitas vezes crianças são usadas como vendedores, o que também não é alvo de ações por partes de órgãos de defesa da criança e do adolescente.
Um filhote de cão por custar mais de R$ 2 mil, geralmente são os animais mais caros, disputando o mercado com pássaros silvestres. Trinca-ferros, curiós, canários, micos e filhotes de papagaio e tartarugas estão entre os mais procurados. Além de animais, a venda de gaiolas e ração alimenta o comércio local.


