Em apenas seis meses de seu governo, que substitui a presidenta Dilma Rousseff, Michel Temer já perdeu seis ministros. A média de queda é de um ministro por mês. Desta vez foi Geddel Lima, ministro da Secretaria de Governo. Antes dele, saíram Romero Jucá (Planejamento), Fabiano Silveira (Transparência), Henrique Eduardo Alves (Turismo), Fábio Medina Osório (Advocacia Geral da União) e Marcelo Calero (Cultura), este último pivô desta nova crise política. A saída de Geddel aparentemente não elimina a crise política criada a partir do pedido de demissão de Calero. Geddel foi um dos principais articuladores do impeachment da então presidenta Dilma Rousseff.
Calero disse à Polícia Federal, um dia após pedir demissão, que Geddel, em meados de junho, começou a pressioná-lo para liberar as obras do empreendimento imobiliário em Salvador, cujas obras estavam embargadas pelo Iphan e onde ele havia adquirido uma unidade na planta. O Iphan embargou o empreendimento de luxo, localizado na Ladeira da Barra, sob o argumento de que a construção prejudicaria sítios históricos ou tombados. Além de Geddel, Calero disse no depoimento que recebeu pressão também do ministro da Casa Civil Eliseu Padilha e do próprio presidente Temmer.
Em entrevista coletiva, no último dia 27, Temer disse que o caso representa “um conflito entre órgãos da administrarão", entre o Iphan da Bahia, que liberou o empreendimento, e o Iphan nacional, subordinado ao Ministério Cultura, que não deu aval para o imóvel. Por isso, sugeriu a atuação da AGU no episódio. Algumas conversas com ministros e um telefonema com Temer foram gravados por Calero e depois entregues à Polícia Federal. O órgão, por sua vez, remeteu o depoimento à Procuradoria-Geral da República para que avaliasse o caso, uma vez que envolve o presidente da República.


