A indústria operou, em média, com 80,1% da capacidade instalada em junho, resultado praticamente estável em relação a maio (80%). Após três meses seguidos de queda, a massa salarial real voltou a crescer em junho, com alta de 0,8% em relação a maio. Já no segundo trimestre, houve queda de 3,4% na comparação com o período anterior. No mês, o rendimento médio real também interrompeu a trajetória de queda, com crescimento de 1,3%. Mas, no trimestre, houve queda de 0,9%.
Segundo o gerente executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, esse aumento da massa salarial em junho se deve à incorporação de indenizações pagas a trabalhadores demitidos. “Na medida em que as empresas demitem, têm que arcar com pagamentos relativos a dispensas. Isso termina no aumento da massa salarial. Mas é um aumento temporário", disse.
Para Castelo Branco, os dados divulgados hoje indicam que o “quadro recessivo do setor industrial se intensificou no segundo trimestre". Segundo o economista, a inflação, que reduz o poder de compra da população, e a queda da confiança de empresários e consumidores são fatores que levam à recessão. Ele acrescentou ainda, entre esses fatores, as medidas de ajuste na economia, como a alta da taxa básica de juros, a Selic – o que encarece os empréstimos –, o aumento de tributos e a redução de desonerações, além do corte de gastos. O gerente executivo considera, no entanto, que as medidas de ajuste fiscal são necessárias.
Nesse cenário, Castelo Branco ressaltou que é preciso melhorar a competitividade da indústria. “Tem que ter uma agenda voltada para a recuperação da produtividade da economia brasileira". Segundo ele, as empresas estão tentando reduzir custos para melhorar a produtividade. O economista acrescentou que também é preciso recuperar a confiança dos empresários, com medidas do governo para reduzir a burocracia e evitar incertezas na economia. (Agência Brasil)


