Os protestos contra o governo e pelo fim da corrupção convocados para domingo (12) através de algumas organizações, reuniram manifestantes várias regiões do país. Entre as reivindicações, além dos pedidos de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, faixas e palavras de ordem pediam investigação de denúncias de corrupção, votação da reforma política e até o retorno dos militares ao poder. Haviam faixas também de “fora Eduardo Cunha" e “fora Renan". O número de participantes das manifestações foi menor que nos atos do dia 15 de março. Em Brasília, a manifestação reuniu aproximadamente 25 mil pessoas, de acordo com a Polícia Militar (PM), e transcorreu de forma pacífica. No primeiro ato, há menos de um mês, 45 mil foram às ruas na Esplanada dos Ministérios. Partidos de oposição se manifestaram sobre os protestos e se solidarizaram com as pessoas que foram às ruas contra o governo. Segundo manifestantes, os atos teriam reunido 1,5 milhão de pessoas em 24 estados e no DF. Segundo a polícia, o número era de 700 mil. Na vez anterior, teriam sido 3 milhões, segundo os organizadores, e 2,4 milhoes, de acordo com a polícia.
A presidenta Dilma disse em sua página no Facebook, que “o combate à corrupção é uma meta constante do governo federal". A página é administrada pelo Partido dos Trabalhadores, eegundo o Palácio do Planalto, essas declarações não foram dadas neste domingo pela presidente da República. Trata-se de uma compilação de frases recentes de Dilma Rousseff sobre o assunto. "A guerra contra a corrupção deve ser, simultaneamente, uma tarefa de todas as instituições, uma ação permanente do governo e também um momento de reflexão da sociedade de afirmação de valores éticos", afirma a presidente na mensagem.
No mês passado, após as manifestações registradas em 15 de março em todo o país, o governo enviou ao Congresso Nacional um “pacote anticorrupção", conjunto de propostas elaboradas pelo Executivo para inibir e punir irregularidades na administração pública. O vice-presidente da República, Michel Temer, disse que o fato de as manifestações deste domingo terem reunido menor número de pessoas do que em março não significa que elas têm menor importância. Segundo ele, as manifestações revelam uma "democracia poderosa". Ele esteve hoje em Porto Alegre (RS) no velório do jurista e político gaúcho Paulo Brossard, que aconteceu no Palácio Piratini, sede do governo do Rio Grande do Sul. O ex-ministro morreu pela manhã, aos 90 anos, em sua residência em Porto Alegre. De acordo com Temer, o governo tem que estar atento às reivindicações e trabalhar para atendê-las. As pesquisas de opinião indicam que o governo precisa trabalhar, acrescentou o vice-presidente. Ele lembrou que o governo já está tomando ações na economia e também no combate à corrupção e informou que é preciso aprofundar esse trabalho. "Nós temos que estar muito atentos a estas manifestações. O governo está prestando atenção. Elas revelam, em primeiro lugar, vou dizer o óbvio, uma democracia poderosa. Mas, em segundo lugar, o governo precisa identificar quais são as reivindicações e atender as reivindicações. É isso que o governo está fazendo", declarou.


