O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) vai inaugurar, até novembro, cinco laboratórios abertos. Como o próprio nome diz, trata-se de espaços com maquinário e pessoal para uso de empresas ou indivíduos na criação e desenvolvimento de projetos. Cada projeto poderá ter até R$ 50 mil custeados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e cada unidade, R$ 1 milhão para investir. O objetivo é incentivar o empreendedorismo no país. "Às vezes, a pessoa tem a ideia, tem o projeto, mas fica complicado desenvolver sozinho. Falta infraestrutura, maquinário, profissionais. E nós temos isso", diz Marcelo Prim, especialista em Desenvolvimento Industrial do Senai. "O Brasil está muito à frente na produção de papers, mas não em empreendedorismo industrial", acrescenta.
Os laboratórios estão em Dourados, Mato Grosso do Sul; Manaus; Maringá, no Paraná; Rio de Janeiro e Campina Grande, na Paraíba. Os três últimos deverão ser inaugurados já no final deste mês. Cada laboratório terá uma particularidade setorial. O do Rio de Janeiro, por exemplo, será voltado prioritariamente para óleo e gás e o de Dourados, para a produção de alimentos. O projeto é desenvolvido em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação pelo Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec). Laboratórios assim já funcionam em quatro locais fora do Senai, entre eles no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, São Paulo, e no Porto Digital, no Recife.
Foi com a ajuda do ITA e do Senai que Lincoln Lepri, ex-mestrando do instituto e hoje diretor-presidente da Intelectron, transformou em realidade o projeto de mestrado. Ele criou uma máquina que tem um braço articulado e consegue fazer operações que são realizadas no Brasil exclusivamente por seres humanos, desde executar partes da construção de aviões a manipular produtos perigosos e fazer resgates em escombros e em minas. "Os brasileiros são muito inteligentes, temos capacidade de desenvolver equipamentos para as necessidades que surgem", diz Lepri. "Trazer e adaptar de fora, alguns chamam de inovação, eu chamo de falta de imaginação."
Na oitava Olimpíada do Conhecimento, o Senai reservou um espaço para antecipar o que ocorrerá nos laboratórios. Durante a olimpíada, empresas como a Fiat, a Vale, a Natura e a 3M trarão problemas reais para serem solucionados por estudantes do Senai e uma equipe de especialistas. Eles trabalharão tanto na concepção de ideias como na execução de protótipos. O desafio do último dia 3 foi proposto pela Fiat: criar uma forma de melhorar a partida a frio dos carros movidos a etanol. Representantes da Fiat acompanharam o trabalho da equipe. Além de ter uma resposta para o problema, eles estão atentos ao desempenho dos estudantes. "Aqueles que participam de eventos como esse saem preparados para os desafios do dia a dia da indústria. O mercado precisa de gente cada vez mais capacitada", destaca o gerente de Inovação da Fiat, Saulo Soares.


