Durante todo o ato, os organizadores da manifestação faziam questão de frisar que o movimento nasceu da própria mobilização dos moradores. “Não há vinculação alguma com nenhum segmento político ou políticos profissionais. Pelo contrário, o problema do Hospital Duque só vem servindo como promessas eleitoreiras para alguns", frisou Luiz Alberto, membro da comissão organizadora. Ao longo da caminhada, muitas faixas de protesto e críticas eram vistas em várias residências. Os moradores disseram que, após o fechamento do hospital, o bairro ficou completamente abandonado com o fechamento de muitas lojas comerciais, o que aumentou o índice de criminalidade e carência de limpeza e iluminação pública. “Somente este ano, duas pessoas foram mortas em assaltos. Não podemos conviver com essa situação", disse a moradora Andrea Karla.
O ato foi convocado pelas redes sociais e reuniu moradores de bairros vizinhos como Centenário, Parque Lafaiete e Periquitos. Segundo os moradores, a reabertura do hospital foi um compromisso que o prefeito Alexandre Cardoso assumiu com eles durante a campanha eleitoral. Porém, até agora, as obras não foram reiniciadas. Segundo os moradores, o abraço ao prédio do hospital foi o primeiro ato público. A comissão organizadora do movimento pela reabertura do hospital realizará uma nova reunião no próximo dia 29, a partir das 19h, na Praça Senhor do Bonfim, para traçar os rumos do movimento.
O Hospital Municipal Duque de Caxias foi fechado em março de 2009 por determinação da Vigilância Sanitária Estadual. Segundo o órgão, a decisão foi tomada após inspeção feita seis meses antes, juntamente com a Defesa Civil. Segundo laudo emitido na época, o hospital não tinha condições adequadas de higiene e de conservação, além de não dispor de equipamentos mínimos necessários para o seu funcionamento. A falta de normas de biossegurança e recursos humanos foram outros itens apontados na conclusão do documento de inspeção. O laudo ainda identificou problemas no centro obstétrico e alojamento conjunto, maternidade, central de esterilização, centro cirúrgico, enfermarias e infiltrações em vários pontos do hospital. Após a interdição, a Prefeitura anunciou a reforma do local e sua adaptação para transformar-se em uma policlínica pública. As obras foram iniciadas pela gestão passada, porém, não foram concluídas.
O Capital encaminhou quatro perguntas à Secretaria de Comunicação e Ações Institucionais da Prefeitura, solicitando que o prefeito Alexandre Cardoso se manifestasse. A resposta oficial, recebida pelo jornal às 10h45 desta terça-feira (22), tem o seguinte teor: “A Prefeitura de Duque de Caxias informa que o Hospital Duque de Caxias não será mais um hospital e, sim, uma policlínica de especialidades e pronto atendimento. Logo, não recebe mais recurso do Sistema Único de Saúde (SUS), por não estar cadastrado como hospital. A Secretaria Municipal de Saúde está refazendo o projeto de conclusão da unidade através de recursos do Ministério da Saúde.Quanto à questão da segurança na região, a implantação de uma companhia da Polícia Militar na Mangueirinha irá reduzir o índice de violência naquela área e, consequentemente, aumentar a segurança para os moradores dos bairros".


