Depois de atingir o pico em outubro, a inflação deverá voltar a cair nos próximos meses, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo ele, os índices de preços de atacado divulgados recentemente indicam que os fatores que pressionavam a inflação nos últimos meses estão retrocedendo. Depois de atingir 0,97% em setembro, o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), índice da Fundação Getulio Vargas influenciado pelos preços no atacado, caiu para 0,02% em outubro. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação que mede apenas os preços para os consumidores, somou 0,59% no mês passado. Na avaliação do ministro, a queda observada no atacado deverá chegar ao varejo a partir deste mês e fazer o IPCA recuar daqui para a frente.
- Os produtos agropecuários estão caindo no atacado. Demora um ou dois meses para chegar no consumo. O IPC-S [Índice de Preços ao Consumidor Semanal], que é um índice semanal de inflação, já está caindo há duas semanas consecutivas. Já atingimos um pico de inflação. Temos um prenúncio de que a inflação vai retornar para um patamar mais baixo porque os índices de atacado estão dizendo isso - disse Mantega ao explicar a proposta de acabar com a guerra fiscal entre os estados.
O resultado do IPCA de novembro só será divulgado na primeira semana de dezembro. Enquanto o índice não sai, a trajetória da inflação ao longo de 2012 é conflitante. De janeiro a outubro, o IPCA acumula alta de 4,38%, menos que os 5,43% verificados no mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, no entanto, o índice está em 5,45%, acima dos 5,28% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Em relação à proposta de distribuição dos royalties do petróleo, aprovada ontem (6) pela Câmara dos Deputados, o ministro confirmou que o formato do texto desagrada ao governo. Segundo ele, o governo ainda está analisando as providências a serem tomadas. “A Câmara estava com outra proposta, outro projeto. De repente, foi aprovado o projeto do Senado. Não temos simpatia por essa modalidade. O que vamos fazer, o governo ainda não decidiu", ressaltou Mantega.
Mercado financeiro, porém, volta a estimar alta
A projeção de analistas do mercado financeiro para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), este ano, voltou a subir. A estimativa passou de 5,44% para 5,46%. Para 2013, a projeção permanece em 5,4%. A informação consta do boletim Focus, pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) a instituições financeiras. As estimativas para a inflação estão acima do centro da meta de 4,5%, mas abaixo do limite superior de 6,5%. Cabe ao Banco Central manter a inflação sob controle. Um dos instrumentos usados pelo BC para controlar a inflação e o nível de atividade é a taxa básica de juros, a Selic.
Depois do processo de cortes na Selic, iniciado em agosto do ano passado, os analistas esperam por manutenção da taxa básica no atual patamar – 7,25% ao ano, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 27 e 28 deste mês. Para o final de 2013, a mediana das expectativas para a Selic também caiu para o atual patamar, ao passar de 7,63% para 7,25% ao ano.
A pesquisa do BC também traz estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), que passou de 4,62% para 4,73%, este ano, e permanece em 4,85%. A estimativa para o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) foi ajustada de 8,34% para 7,81%, este ano, e de 5,17% para 5,16%, em 2013. Para o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), a projeção passou de 7,92% para 7,60%, em 2012, e de 5,16% para 5,17%, em 2013.
A estimativa dos analistas para os preços administrados foi mantida em 3,5%, neste ano, e ajustada de 3% para 3,4%, em 2013.


