A devasse determinada pelo chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, a Draco, que está acontecendo desde a manhã de segunda-feira (14), pode ter desdobramentos surpreendentes no meio político do Estado. Segundo Turnowski, foram encontrados alguns documentos que embasam a denúncia recebida de que policiais daquela unidade estariam recebendo dinheiro para arquivar inquéritos contra Prefeituras. Segundo o policial, agora, a denúncia passa a ter um “valor maior", uma vez que foi encontrado um documento original com assinatura de autoridades da Draco autorizando o arquivamento de uma investigação sobre fraude em licitações. “Vamos apurar tudo, inclusive com a quebra de sigilos telefônicos e fiscais para saber se de fato houve o pagamento de propina", afirmou Turnowski em uma entrevista para uma grande rede de televisão.
A Draco foi fechada na tarde de domingo (13), depois que Turnowski recebeu uma denúncia de que agentes ali lotados teriam participado de procedimentos ilícitos e arquivado alguns inquéritos sob o pretexto de receber alguma vantagem econômica de empresários e até de prefeituras. Na manhã do dia seguinte, policiais armados impediam a entrada e saída de pessoas não autorizadas para evitar a evasão de documentos da delegacia. O chefe de Polícia Civil disse que a devassa na Draco irá continuar até que se apurem todas as denúncias. De acordo com ele, até o momento foram encontrados inquéritos arquivados há dois anos na delegacia com investigação parada e armas sem numeração. “A Polícia Civil entra numa nova fase. Não adianta apresentar resultados à população, ela exige lisura dos agentes", disse Turnowski.
A Corregedoria de Polícia Civil vai apurar o fato de existirem dois documentos com o mesmo número e informações diferentes sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo uma prefeitura da Região dos Lagos. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pelo corregedor Gilson Soares, que chegou a afirmar que a existência dos dois documentos é, no mínimo, estranha. O documento apontava que policiais da delegacia estariam recebendo dinheiro para não serem instaurados inquéritos contra a prefeitura, com data de 16 de agosto de 2008.
Turnowski afirmou que vai pedir ao Tribunal de Contas a quebra dos sigilos fiscais e telefônicos de empresários e funcionários da prefeitura que podem ser os responsáveis pelo pagamento de propinas em função da fraude nas licitações. O corregedor já havia afirmado que Turnowski tinha recebido denúncias de que policiais da especializada participaram de procedimentos ilícitos não só com empresários, mas também com prefeituras.


