O carro do deputado estadual Geraldo Moreira (PTN), de 57 anos, foi atingido por tiros na noite de segunda-feira (28) na Rodovia Washington Luiz (BR-040), em Duque de Caxias. Ele nada sofreu. A polícia investiga se o deputado foi vítima de uma tentativa de assalto ou atentado. O carro do deputado é um veículo oficial da Assembléia Legislativa (Alerj). Na delegacia, o parlamentar contou que estava sozinho, voltando de um compromisso político em Santa Cruz da Serra. O ataque aconteceu por volta das 23h, quando o automóvel do parlamentar foi cercado por outro veículo de cor cinza. Segundo ele, dois homens armados desceram e deram ordem para que ele parasse, mas ele arrancou e os criminosos atiraram.
- Os tiros foram exatamente no meu rumo, no rumo da minha cabeça. Pelo visto ali, uma bala deve ter passado ali a dois centímetros da minha cabeça, pelo rumo dos tiros dados no carro. A gente fica muito assustado - disse Geraldo Moreira, que responde na Justiça pela morte do médico Carlos Alberto Peres Miranda, ocorrida em 2008. Também sobre o parlamentar pesa a acusação do oferecimento de R$ 150 mil a uma testemunha-chave para mudar a versão do depoimento e inocentá-lo. Dois homens foram presos em flagrante por atirar no médico. Segundo o Ministério Público, eles teriam sido contratados por dois policiais militares, a mando do deputado. Os policiais também foram presos. No ano passado, o deputado foi denunciado por outro crime. Ele e dois assessores são acusados de oferecer dinheiro para que uma testemunha do assassinato mudasse o depoimento. O deputado nega todas as acusações. O parlamenter acredita que o ataque na rodovia não tenha relação com as acusações que responde na Justiça. "Quero acreditar que tenha sido uma tentativa de assalto. Se for alguma outra coisa será uma surpresa grande para mim. Mesmo assim, nuca se sabe. Nunca tive segurança, só motorista. Agora preciso reforçar a minha segurança", disse o deputado estadual quando questionado sobre a hipótese de ter sido vítima de um atentado. Geraldo Moreira afirmou que irá à Alerj e a Secretaria de Segurança Pública, nesta terça-feira, para pedir providências sobre o incidente.
O parlamentar revelou que recebera uma ligação anônima há dois meses denunciando uma trama dentro do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM para matá-lo. "Hoje [ontem, dia 28] é meu aniversário de 57 anos. Um dos tiros passou a centímetros da minha cabeça. Pensei que estaria mais nervoso agora que tudo passou. Acho que a ficha ainda não caiu. Nasci duas vezes hoje", relembrou o deputado, demonstrando calma ao deixar a 60ª DP (Campos Elíseos) durante a madrugada, após registrar a ocorrência.
Geraldo Moreira cumpre seu quarto mandato na Assembléia Legislativa do Rio (Aler). ele também já foi vereador três vezes por Duque de Caxias. É morador do bairro do Pilar, 1º distrito do Município, mas tem base eleitoral no 2º (Campos Elíseos) e 3º (Imbariê). Sobre a acusação de ser o mandante da morte do médico Carlos Alberto Peres de Miranda e da suposta tentativa de suborno de uma testemunha, o parlamentar disse que nada de concreto foi provado contra ele e negou participação no crime. O processo corre sob segredo de justiça, já que o acusado possui foro privilegiado. Quatro pessoas já foram julgadas e condenadas. O ex-PM Aílton Silva Diniz teve a prisão decretada, mas está foragido.
Carlos Alberto Peres de Miranda foi assassinado a tiros no dia 14 de março de 2008, na altura do número 451 da Rua Andrade Neves, na Tijuca. Ele foi abordado quando dirigia seu Peugeot. Leandro Rosa da Silva e Ulisses Matheus Costa foram presos na hora. Eles disseram que tinham sido contratados para matar o médico por PMs e ex-PMs. Lotados no 39º BPM (Belford Roxo), Marcelo Gonçalves Brasil e Ivan Luiz Bayer foram os outros condenados.


