Energia solar em Itaipu tem potencial teórico para dobrar capacidade da usina
- abr 23, 2026
Estudos com "ilhas solares" no reservatório e pesquisas com Hidrogênio Verde e Biogás colocam a binacional no centro da transição energética global
A Usina de Itaipu, gigante da hidreletricidade na fronteira entre Brasil e Paraguai, está testando tecnologias que podem revolucionar sua matriz energética. Um experimento com painéis solares flutuantes instalado no reservatório revelou um potencial impressionante: se apenas 10% da área do lago fosse coberta por placas, a capacidade de geração seria equivalente a uma segunda usina de Itaipu.
O Laboratório sobre as Águas
Atualmente, a "ilha solar" conta com 1.584 painéis fotovoltaicos ocupando uma área de 10 mil m² no lado paraguaio. Com capacidade de 1 megawatt-pico (MWp) — o suficiente para abastecer 650 casas —, a planta funciona como um laboratório científico para analisar:
- Interação dos painéis com a fauna (peixes e algas).
- Influência dos ventos e temperatura da água no desempenho das placas.
- Estabilidade das estruturas de ancoragem no solo do reservatório.
Além do Sol: Hidrogênio Verde e Baterias
A diversificação em Itaipu é impulsionada pelo Itaipu Parquetec, em Foz do Iguaçu (PR), onde o foco está nos combustíveis do futuro:
- Hidrogênio Verde (H2V): Produzido via eletrólise da água sem emissão de CO₂, o insumo é testado para mover carretas, ônibus e barcos (como o protótipo entregue para comunidades ribeirinhas na COP30, em Belém).
- Armazenamento de Energia: Pesquisas focam no desenvolvimento de baterias para sistemas estacionários, garantindo reservas energéticas para empresas e indústrias.
Foz do Iguaçu (PR) - Itaipu Parquetec, centro tecnológico de inovação da Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil |
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Economia Circular: Do Contrabando ao Biocombustível
Uma das iniciativas mais curiosas e eficientes ocorre no CIBiogás. Alimentos orgânicos e materiais apreendidos em fiscalizações de fronteira (PRF e Ministério da Agricultura) são transformados em biometano.
- Resultado: Em nove anos, 720 toneladas de resíduos geraram combustível para rodar 480 mil km — o equivalente a 12 voltas ao redor da Terra.
- Aposta no SAF: A planta também produz experimentalmente o bio-syncrude, óleo sintético usado na fabricação do Combustível Sustentável de Aviação (SAF).
"Acredito que nos próximos 10 anos vamos ouvir muito sobre hidrogênio, biometano e SAF. São os assuntos do momento", destaca Daiana Gotardo, diretora técnica do CIBiogás. (com informações da Agência Brasil)




