O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado dia 2 preocupa o setor industrial, segundo nota da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país, alcançou R$ 1,02 trilhão no segundo trimestre. Na comparação com o trimestre anterior, houve crescimento de 0,8%. Para a CNI, os dados “indicam que parte relevante do crescimento da demanda interna é cada vez mais direcionada às importações, dada a contínua perda de competitividade da indústria brasileira e a persistência do câmbio valorizado".
O PIB industrial cresceu 0,2% no segundo trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior. A indústria de transformação ficou estável no período, enquanto a construção civil teve expansão de 0,5%. A indústria extrativa teve expansão de 2,2% “devido à forte demanda mundial". “Esses resultados, associados ao cenário de piora das perspectivas sobre a economia global, indicam que o PIB industrial crescerá ainda menos do que o esperado em 2011", destaca a CNI, em nota. Com isso, a confederação informou que revisará em breve as projeções para o crescimento econômico em 2011, que atualmente estão em 3,2% para a indústria e 3,8% para o PIB total.
Participação no PIB caiu mais de 40% em três décadas
A participação da indústria na economia nacional já foi de 30% na década de 1980, mas atualmente caiu para cerca de 17% do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país, de acordo com o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e professor da Universidade de Campinas (Unicamp), Júlio Gomes de Almeida. Segundo ele, participação no PIB não significa, porém, que a indústria brasileira tenha enfraquecido. “Não foi uma perda em termos absolutos, mas relativos, porque outros segmentos cresceram muito mais". Entre esses segmentos destacam-se, por exemplo, o forte desenvolvimento da agropecuária, impulsionado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e do setor de serviços, principalmente nas áreas de telecomunicações, financeira e de software.
A desvalorização do dólar derrubou a competitividade dos preços dos produtos industriais, principalmente com o lançamento do Plano Real, em 1994, quando o valor da moeda nacional ficou acima da cotação do dólar e assim permaneceu durante dois anos. Depois, o dólar ficou ligeiramente acima do real até janeiro de 1999, quando o governo promoveu uma desvalorização do real e adotou o câmbio flutuante. Daí até 2004, o dólar recuperou valor, mas a partir de então novamente entrou em declínio, com curto período de valorização no auge da crise financeira mundial, no final de 2008 e início de 2009.


