O deputado federal Índio da Costa, pré-candidato ao Governo do Estado do Rio de Janeiro pelo PSD, em entrevista ao Capital, defendeu melhorias na segurança pública, no abastecimento de água e na saúde para a população da Baixada Fluminense. Índio da Costa é bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes e pós-graduado em Políticas Públicas e Governo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entrou na carreira política em 1990, quando administrou alguns parques do Rio na gestão Cesar Maia.
Em 1996, foi eleito vereador pela primeira vez, cargo que permaneceu até 2006. Durante o período como vereador, se afastou para ser Secretário Municipal de Administração. Também foi Secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do Rio de Janeiro, cargo que ocupou de janeiro de 2017 a janeiro deste ano. Durante o período de secretário, licenciou-se do cargo de deputado. Retornou à Câmara em fevereiro deste ano. É um dos fundadores do PSD.
1 - A Rocinha tem em torno de 120 mil habitantes e mais de 800 PMS na UPP. O município de Duque de Caxias tem quase 1 milhão de habitantes e o Batalhão possui em torno de 550 PMs. Como o senhor vê essa política de segurança que levou uma migração de marginalidade do Rio para toda a Baixada?
- As UPPs infelizmente não foram feitas para resolver o problema de segurança e nem para cuidar da vida de ninguém. UPP foi um programa de marketing que abandonou a segurança pública no estado todo, deixou a baixada fluminense completamente desguarnecida porque eles também nunca se preocuparam com a região, e o reflexo você tem uma distorção na de concentração policial de um lado em detrimento de outras regiões do estado que foram abandonadas. Segurança tem que ser para o Estado todo. E não tem segurança sem polícia, não tem polícia sem policial e o policial tem que ter condição de trabalho, treinamento permanente, tem que ter acesso à tecnologia e também tem que voltar a investigar. A Polícia Civil foi desmontada, perdeu a capacidade de investigar. A Polícia Militar hoje não possui os equipamentos que deveria ter para fazer o seu trabalho. Compraram agora uma série de carros - esse Ford Ka - que mal cabe a arma dentro do carro. Então é uma brincadeira que fizeram com a política de segurança do Estado. Desmontaram todo o sistema. E tem que ser para todo mundo, não pode ser pra uma área apenas do estado.
2 - Os Centros de Excelência Estaduais e Federais estão praticamente todos na capital. Alguns deles: Hospital de Ipanema, Hospital da Lagoa, o Instituto do Cérebro e as duas unidades de cirurgias cardíacas, tanto federal como estadual. Qual a política que o senhor tem para descentralizar a qualidade da assistência médica, tanto estadual como a federal, para a Baixada Fluminense, já que o governador é o coordenador político dos recursos da saúde para o Estado?
- É Fundamental melhorar a qualidade do atendimento à saúde na Baixada Fluminense. No estado inteiro há uma multidão esperando para ser atendida muito em razão da falta de prevenção. Não tem prevenção. E a gente poderia reduzir muito as filas que estão nos hospitais aguardando atendimento se a gente pudesse prevenir. Uma das formas de prevenir é com segurança pública. Tem milhares de pessoas precisando de atendimento em razão de pressão alta, depressão. Tudo consequência da insegurança que a gente vive no estado do Rio de Janeiro. Primeiro tem que reduzir as filas e fazer o sistema funcionar. E aí na sequência, sim, é possível descentralizar o atendimento para a Baixada Fluminense. É possível e necessário. Vou ouvir as polícias, já tenho conversado com elas e vou fazer um trabalho em conjunto com as polícias para a gente ter uma política de segurança publica para a Baixada, o interior, a capital, para todas as regiões do estado do Rio de Janeiro.

3 - Como o senhor vê essa situação: A água que abastece a cidade do Rio de Janeiro vem da Baixada Fluminense. O lixo da cidade do Rio é quase todo depositado na Baixada. A maior parte da arrecadação pelo Estado (petróleo, CSN, indústria naval, indústria automobilística) está no interior. Como resolver essa equação, uma vez que até hoje essa questão não foi enfrentada pelos governos?
- A única maneira de se enfrentar esse problema é o governador entender o estado como um todo. Todos os governadores dos últimos tempos foram disputando espaço na capital, era uma espécie de governador da capital disputando espaço com o prefeito, quando, na realidade, o estado é muito maior do que isso. Na hora que o governador entender o estado considerando a Baixada Fluminense, São Gonçalo, interior, a capital como uma única região - que é o estado do Rio de Janeiro - aí sim, o Estado vai funcionar muito melhor. Uma área vai contribuir com a outra da maneira que tem que contribuir para a vida ser melhor para todo mundo que mora no estado do Rio de Janeiro. Isso parece óbvio, mas o óbvio nunca foi feito aqui no Rio de Janeiro sem ficar inventando planos mirabolantes, sem escutar as polícias. No meu governo a polícia vai ser escutada e a gente vai fazer um plano conjunto para resolver o problema. O problema dos governadores é que eles usam a Baixada para ter voto e depois esquecem. Não foi à toa que o escolhido foi o Zaqueu Teixeira para ser meu vice-governador. Ele é de Queimados, cidade da Baixada Fluminense, para a gente poder fazer políticas focadas nessa região. O Estado tem que ser tratado como um todo, todas as regiões tem muita importância. Daí a ideia foi de pegar uma área que está esquecida, abandonada pelos governos, e trazer um vice da Baixada para a gente implementar as políticas públicas necessárias para ela. Inclusive a questão do lixo, que até hoje não foi enfrentada por nenhum governo. O governo tem que trabalhar para todas as pessoas. Infelizmente essa não tem sido a lógica dos últimos governadores.
Alexandre Cardoso analisa a possibilidade de vitória candidatura de índio

O ex-deputado federal e ex-prefeito Alexandre Cardoso, também do PSD, que deverá disputar uma cadeira para a Câmara dos Deputados, elogiou o pré-candidato Índio da Costa e exaltou sua competência. “O Índio é um político competente", observou.
Sobre a candidatura ao governo do Estado, Alexandre comentou: “Em termos eleitorais, tem grande semelhança com a minha eleição de 2012. Eu era o quarto na pesquisa e os três na minha frente eram muito mais conhecidos do que eu. Hoje o Índio é o quarto, tem na frente o Romário, o Garotinho e o Eduardo Paes, os três beirando 90% do grau de conhecimento do Estado. Penso que as pessoas, quando conheceram a capacidade, o equilíbrio e o conhecimento do Índio da Costa sobre os problemas do Estado, vão se definir de forma mais comprometida para tirar o Estado dessa crise", concluiu.


