O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, autorizou o leilão de uma casa de praia, joias, automóveis, uma lancha e uma moto aquática pertencentes ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) e sua esposa Adriana Ancelmo, apreendidos na Operação Calicute. Os bens estão avaliados em R$ 14,5 milhões, com base na perícia judicial e da Polícia Federal. A casa de praia, localizada em condomínio de luxo em Mangaratiba, Costa Verde fluminense, está estimada em R$ 8 milhões. Das cerca de 189 joias adquiridas pelo casal em joalherias da cidade sem nota fiscal, cerca de 50 foram apreendidas na residência de Cabral e Adriana e em outros endereços do Rio de Janeiro. O valor arrecadado ficará em conta judicial até o fim do julgamento. A defesa do casal informou que irá se pronunciar nos autos do processo.
Na decisão, Bretas justificou a venda dos bens antes de concluído o julgamento do processo para evitar a desvalorização dos bens apreendidos. "O objetivo da alienação antecipada é o de salvaguardar a restituição aos cofres públicos de eventual produto/proveito de crime, de forma que, obviamente, fica resguardado o direito à devolução da quantia em caso de sentença absolutória. A medida pretende também proteger o patrimônio total dos acusados, caso ele venha a ser absolvido pelos órgãos jurisdicionais", escreveu. "Pretende evitar a depreciação dos bens e a redução exponencial do seu valor, enquanto os acusados não podem deles desfrutar propriamente", acrescentou o juiz.
Sérgio Cabral foi preso em 2016 na Operação Lava Jato e tornou-se réu por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, sendo alvo da Polícia Federal nas operações Calicute, Eficiência, Fatura Exposta e Mascate. Até fevereiro de 2017, tornou-se réu pela quinta vez, acusado dentre os crimes por corrupção e lavagem de dinheiro. Em março virou réu por evasão de divisas e corrupção passiva, e em abril tornou-se réu, pela sétima vez, por chefiar uma organização criminosa que fraudou licitações e formou cartel na reforma do Maracanã e no PAC das Favelas. Em junho de 2017 se tornou réu pela décima vez, e no mesmo mês foi condenado a 14 anos e dois meses de prisão, em um dos processos.


