A atividade industrial do Brasil atingiu em dezembro o patamar mais fraco em seis meses em meio a fortes quedas nos volumes de produção e no nível de emprego, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) divulgado no último dia 2. O IHS Markit informou que o PMI foi a 45,2 em dezembro de 46,2 em novembro, com a recessão econômica afetando com força a entrada de novos negócios e a produção e ampliando o cenário de retração do setor - leitura abaixo da marca de 50 aponta contração. O relatório do banco alemão Deutsche Bank aponta, por exemplo, que houve crescimento nos Estados Unidos, na Europa, na China e no Japão. Isto quer dizer: o mundo volta a crescer, enquanto o Brasil afunda.
Além da fragilidade econômica, a demanda fraca e as pressões competitivas levaram o nível de novos trabalhos a cair em dezembro com a maior força em seis meses. Os novos pedidos para exportação também apresentaram perdas. Isso levou a produção a cair pela taxa mais rápida desde junho, com reduções em todos os três subsetores pesquisados, sendo a mais acentuada entre os bens de capital.
Esse cenário levou a mais cortes de empregos, chegando ao 22º mês de perdas, com destaque para os trabalhadores do setor de bens de capital. Já a inflação de custos chegou a um recorde de quatro meses em dezembro, levando a um aumento mais forte nos preços de venda. O enfraquecimento da moeda fez com os preços pagos por produtos importados aumentassem, ao mesmo tempo em que algumas empresas tentaram proteger as margens de lucro.
Em outubro, a produção industrial recuou 1,1 por cento sobre o mês anterior, no pior resultado para o mês desde 2013 e iniciando o quarto trimestre com mais fraqueza, de acordo com os dados do IBGE.


