Presidenta Dilma: "Os que querem interromper meu mandato não resistem a pesquisa no Google"
- dez 17, 2015
A presidenta Dilma Rousseff fez nesta quarta-feira (16) um dos mais inflamados discursos em defesa de seu mandato e contra o pedido de impeachment. Ao participar da 3ª Conferência Nacional de Juventude, em Brasília, evento que reúne lideranças jovens de todo o país, Dilma disse que "jamais houve desvio" durante o exercício da Presidência, atacou enfaticamente adversários, disse que há uma "invenção de motivos" por parte dos que "tentam chegar ao poder de forma assaltar a eleição direta" e afirmou que tem o "compromisso de continuar mudando o Brasil".
Antes de seu discurso, vários participantes do evento puxavam coros de apoio a Dilma e contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Durante o discurso, ela foi interrompida algumas vezes por gritos de "Não vai ter golpe" e "Ai, a Dilma fica o Cunha sai". Cunha aceitou, no último dia 2 de dezembro, a abertura do processo de impeachment, cujo pedido foi feito pelos juristas Hélio Bicudo, Mighel Reale Jr. e Janaína Conceição Paschoal. "Neste momento, usando todos os instrumentos que o Estado Democrático de Direito me faculta, lutarei contra a interrupção ilegítima do meu mandato", declarou a presidenta, enumerando argumentos que, segundo ela, comprovam que os que tentam interromper o "mandato popular conquistado legitimamente" não encontram razões consistentes para o impeachment.
- É a falta de razão que nós chamamos de golpe. A Constituição brasileira prevê sim esse processo [de impeachment]. O que ela não prevê é a invenção de motivos. Isso nao está previsto em nenhuma Constituição." De acordo com Dilma, os argumentos sobre as mudanças no Orçamento não são consistentes pois "jamais houve desvio nenhum" – acrescentou. Segundo Dilma, seus opositores oscilam entre "invenções e falácias porque não há como justificar o atentado que querem cometer contra a democracia". "Não sustenta qualquer argumento porque não houve irregularidade. Nós pagamos o Bolsa Família sim. Pagamos o Minha Casa, Minha Vida sim. E, ao fazê-lo, sempre respeitando as leis e os contratos que existiam. Eu assinei decretos e mudanças na locação de recursos quando estes recursos sobravam e, portanto, podiam ser deslocados para outras atividades pela lei orçamentária aprovada neste país", afirmou.
BIOGRAFIA - Sem citar diretamente ninguém, a presidenta elencou políticas implementadas pelos governos do PT desde 2003, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo. De acordo com a presidenta, "os que buscam atalho para o poder não querem derrubar apenas uma mulher" e sim um projeto. Dilma comparou a sua biografia com a de adversários políticos. "Sabem que têm de usar de artifícios porque não conseguirão nada atacando minha biografia, que é conhecida. Sou uma mulher que lutou. Amo meu país e sou honesta. Além disso, não compartilho com algumas práticas da velha política que alguns deles professam. O mais irônico é que muitos que querem interromper meu mandato têm uma biografia que não resiste a uma rápida pesquisa no Google", criticou.
Diante de uma plateia de cerca de 3 mil pessoas, de acordo com a Secretaria Nacional da Juventude, a presidenta fez referências à política de oposicionistas como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). "Vamos mudar o Brasil fortalecendo a sua democracia e impedindo retrocessos. Não mudaríamos o Brasil fechando escolas. Nós também não vamos mudar o Brasil reprimindo movimentos pacíficos com forças policiais. Sabemos que fechar escolas é extinguir sonhos", disse.
A presidenta criticou ainda medidas atribuídas a setores conservadores como a redução da maioridade penal, a aprovação da proposta de emenda à Constituição que transfere para o Legislativo o poder de demarcar terras indígenas e a adoção de medidas contrárias à diversidade das famílias. "Certamente não mudaremos para melhor o Brasil se permitirmos que a nossa democracia, jovem ainda, seja golpeada agredida ou desrespeitada. Para mudar o Brasil temos de garantir respeito ao voto da população e respeitar o resultado das eleições. Hoje, sabemos que defender a democracia é mudar o Brasil para melhor. Está em curso uma batalha que ditará os rumos do nosso país por muito tempo", disse a presidenta.
DEMANDAS - Além dos refrões em coro proferidos pela plateia, os discursos da cerimônia de abertura da conferência também foram de apoio a Dilma. Ela recebeu, porém, uma reivindicação do presidente do Conselho Nacional de Juventude, Daniel Souza. "Que esse governo se coloque cada vez mais à esquerda e com o povo", disse Daniel. Delegados da conferência também pediram a demissão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Antes da chegada de Dilma à Conferência Nacional da Juventude, o ex-presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, discursou e foi ovacionado pelos participantes do evento. A presidenta foi acompanhada pelos ministros Jaques Wagner, da Casa Civil; Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência; Miguel Rossetto, do Trabalho; e pela ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello. (Agência Brasil)


