Depois de cair no primeiro semestre, a economia voltará a crescer na segunda metade do ano, disse o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, na última quarta-feira (15). A recuperação, no entanto, será insuficiente para reverter a queda da atividade econômica no início de 2015, fazendo o Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas no país) encerrar o ano com queda de 0,9%. A previsão consta do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2016, lei que define diretrizes e parâmetros para o Orçamento do próximo ano. De acordo com o ministro, o governo espera contração no primeiro trimestre, estabilidade no segundo e crescimento baixo no terceiro. Somente a partir do quarto trimestre, disse Barbosa, a economia deverá apresentar crescimento expressivo. “Será um processo parecido com o que ocorreu em 2009, no auge da crise econômica global. Tivemos um primeiro semestre de queda e um segundo semestre com crescimento, mas não o suficiente para compensar", destacou o ministro.
Barbosa mencionou sinais de que a economia parou de cair no segundo trimestre. “A evolução do mercado financeiro, que consegue se antecipar ao restante da economia, indica que o pior já passou. O dólar se estabilizou, a Bolsa de Valores subiu e a curva de juros está se inclinando. As taxas de longo prazo [no mercado futuro] começaram a cair", disse. O ministro reiterou que o cálculo do PIB, assim como das demais variáveis econômicas no projeto da LDO, levou em conta as projeções do mercado. “As previsões do boletim Focus [pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras] mudam constantemente, então pegamos uma média das estimativas para usar na LDO", declarou.
Nelson Barbosa esclareceu que o governo descartará usar o mecanismo que permite abater gastos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da meta de superávit primário – poupança para pagar os juros da dívida pública. “Em 2015, já deixamos de usar esse mecanismo. A meta de 2% do PIB para 2016 também não considera os abatimentos do PAC. O número que estamos anunciando é o da meta que será efetivamente cumprida e aparece nos resultados do Banco Central", explicou. (Agência Brasil)
Medidas de ajuste para reequilibrar finanças são temporárias
Nelson Barbosa defendeu as medidas de ajuste econômico apresentadas pelo governo e disse que elas são temporárias. “Temos que reduzir a inflação, reequilibrar as finanças públicas, e o governo precisa fazer alguns ajustes. Mas os ajustes são temporários", afirmou. Ele disse ainda que o maior desafio do Brasil não é econômico. Barbosa citou a política como a maior dificuldade, uma vez que é preciso dialogar com forças políticas diferentes para obter avanços. “Apesar de o desafio econômico ser grande, acho que nosso maior desafio é político. Precisamos de muita conversa, muito diálogo, para avançar mais", ressaltou.
Barbosa participou, no último dia 14, da abertura do Fórum Dialoga Brasil, que em três dias pretende recolher propostas para formação do Plano Plurianual (PPA) 2016-2019. O fórum reúne representantes de centrais sindicais e entidades ligadas aos setores industrial e financeiro em uma série de debates do governo com setores da sociedade para delinear um projeto de lei do PPA, que deve ser enviado ao Congresso até o dia 27 de agosto. O PPA, uma vez formulado, traça as diretrizes de investimentos no país e nos estados em determinado período. Políticas públicas, muitas vezes acompanhadas de planos setoriais, são resultados de um PPA. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos e o Plano Nacional de Educação são alguns exemplos.
No PPA 2012-2015, o Brasil deu prioridade a políticas públicas que reduzissem a desigualdade e a melhoria da infraestrutura. Agora, o país e cada um dos estados precisam estudar as estratégias para os próximos quatro anos. No PPA que se encerra este ano, foram firmadas 2.400 metas. Para o secretário de Planejamento e Investimento do Ministério do Planejamento, Gilson Bittencourt, o país precisa reduzir metas. “A nossa tese", disse ele, "é que neste PPA a gente reduza significativamente o número de metas, para que seja mais fácil cumpri-las na sua integridade. Que sejam metas estratégicas, que possam mudar a vida das pessoas". (AB)


