A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ) informou que não houve registro de casos de violência ou de necessidade de intervenção policial na manifestação na orla da Praia de Copacabana, neste domingo (15), que durou cerca de quatro horas, sob sol forte e temperatura em torno de 30 graus Celsius (30°C), com sensação térmica de até 39ºC. Ainda de acordo com a PM, a manifestação na Candelária, no centro do Rio, também ocorreu de forma pacífica. No começo da manifestação da manhã, o presidente da Federação dos Metalúrgicos e da Força Sindical do Rio de Janeiro, Francisco Dal Prá, calculou em 15 mil pessoas a concentração em Copacabana. Após o início da passeata era possível ver a chegada de muitos manifestantes que ocupavam as ruas próximas à Avenida Atlântica. Muitos usaram o Metrô, para chegar ao local. A PM não fez estimativa do número de participantes na manifestação.
Durante o ato, a aposentada Ione Moezia de Lima, de 80 anos, defendeu uma proposta. Para ela, deveria ser criada uma conta-corrente com o nome de Lava Jato, em referência à operação que identificou os desvios de recursos da Petrobras. Segundo a aposentada, para essa conta, iriam todos os recursos repatriados ou devolvidos pelos acusados dos desvios. “Todo o dinheiro deveria ir para essa conta para que, depois de ser depositado ali, poderia até ir rendendo juros. Aí, é que se pensaria no que fazer. Apesar da roubalheira, eu tenho orgulho da Petrobras e gostaria de ver a sua recuperação", disse Ione.
CANDELÁRIA - Centenas de manifestantes fizeram um ato contra a corrupção, em frente à Igreja da Candelária, no centro do Rio, também no domingo (15). O protesto começou por volta das 15h e o número de pessoas forçou o bloqueio das duas pistas centrais da Avenida Presidente Vargas, além da confluência com a Avenida Rio Branco. O protesto foi pacífico e os policiais militares apenas acompanham de longe, sem intervir diretamente. Um carro de som serviu de palco para os oradores, que se revezaram ao microfone, com discursos criticando a corrupção no país.
A maioria dos manifestantes foi vestida com as cores verde e amarelo. Muitos levam bandeiras do Brasil. Além de gritarem slogans como "Brasil acima de tudo", os participantes também entoaram canções militares, como Fibra de Herói, um dos hinos populares do Exército. Alguns defendiam a ideia de intervenção militar. Os militares estiveram no poder, no Brasil, por 21 anos. Neste domingo (15), há exatos 30 anos, José Sarney tomava posse como o primeiro presidente do regime democrático pós-ditadura, dando início ao período que ficou conhecido como Nova República. Também chamada de sexta República, o período foi marcado pela redemocratização política do Brasil, depois de mais de 20 anos de um governo caracterizado pela repressão política, que se iniciou com a deposição do presidente João Goulart em 1964.
Em 1968, o então presidente Artur da Costa e Silva baixou o Ato Institucional 5, que dava plenos poderes ao presidente da República, tais como suspender e cassar mandatos, e suspendia garantias constitucionais como os direitos políticos dos cidadãos, além de decretar o recesso do Congresso Nacional. No período da ditadura militar, de 1964 a 1985, foram praticadas diversas violações de direitos humanos. Segundo o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, pelo menos 434 pessoas foram mortas ou desapareceram por ação dos agentes da repressão. (Agência Brasil)


