A safra de grãos para o período 2014-2015 deverá ficar entre 194 milhões e 201,6 milhões de toneladas. Com isso, a variação percentual estimada em relação à última safra pode variar entre 0,7% negativo e 3,2% positivos. É o que prevê o primeiro levantamento da produção de grãos divulgado no último dia 9 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “São números ainda muito provisórios, mas que balizarão o setor privado", disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Kernbeis Paludo. Como se trata, ainda, de um primeiro levantamento, é possível que haja alterações na produtividade ao longo dos próximos meses em razão das condições climáticas.
Segundo o presidente da Conab, Rúbens Medeiros dos Santos, apesar de ainda ser o primeiro levantamento, o país mantém a previsão de safra recorde, inclusive superior a 200 milhões de toneladas. Mas, acrescenta, vai depender de vários fatores. “O primeiro é a questão climática: [há dados que permitem antever] normalidade [climática; há também] a questão de crédito e [por último, há ainda a] questão de agregação de pacote tecnológico, principalmente no plantio da soja", disse ele.
A soja continua sendo o destaque. “Temos observado que a área do milho primeira safra está migrando para a soja, [que pode] atingir [produção de] quase 92,5 milhões de toneladas", acrescentou Medeiros. Na avaliação da Conab, o crescimento da soja merece análise em razão de haver um quadro internacional de excesso de grãos, o que reduz a expectativa de preços. Outro fator a ser estudado é o aumento da produtividade, uma vez que o país tem alcançado seguidos recordes de safra, sem que tenha aumentado de forma significativa a área de cultivo.
Para a safra 2014/2015, a estimativa é de que o plantio se espalhe por superfície entre 56,23 e 58,34 milhões de hectares, o que pode significar, no viés negativo, queda (de 1,2%) de área plantada ou aumento (de 2,5%) em relação à safra 2013/2014 (56,94 milhões de hectares). A soja terá papel relevante nesse cenário, com uma expectativa de crescimento entre 1,4% e 5,5%, equivalente a um aumento entre 426,8 e 1.663,6 mil hectares. A pesquisa feita pela Conab foi feita entre os dias 21 e 27 de setembro, em parceria com agrônomos, cooperativas, secretarias de agricultura, órgãos de assistência técnica, agentes financeiros, revendedores de insumos e do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). (Agência Brasil)
Balança do agronegócio fecha setembro
com superávit de US$ 6,8 bilhões
A balança comercial do agronegócio encerrou setembro com superávit (exportações maiores que importações) de US$ 6,88 bilhões. O volume resulta de US$ 8,3 bilhões em vendas externas e US$ 1,42 bilhão em compras do Brasil no exterior. Os números foram divulgados no último dia 8 pelo Ministério da Agricultura. As exportações do mês caíram 7,4% na comparação com setembro do ano passado, quando ficaram em US$ 8,96 bilhões. Já as importações, que em setembro de 2013, somaram US$ 1,38 bilhão subiram 3,6% em igual período. O complexo soja (grão, farelo e óleo) é o principal responsável pela retração nas vendas externas, em função da redução da quantidade embarcada e preço.
Em setembro do ano passado, foram exportados US$ 2,74 bilhões do complexo soja contra US$ 1,99 bilhão no mesmo mês deste ano, uma queda de 27,4%. O volume embarcado, que havia ficado em 5 milhões de toneladas em setembro de 2013, caiu para 3,97 milhões de toneladas no mesmo mês deste ano. Além disso, de acordo com o Ministério da Agricultura, o preço médio de exportação do setor caiu 7,4%.
A redução nos embarques de soja já era uma tendência nos resultados da balança comercial global, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O diretor do Departamento de Estatística e Apoio à Exportação do órgão, Roberto Dantas, atribuiu o movimento ao fato de 2013 ser uma base comparativa elevada, em razão de antecipações de embarque de soja para a China.
No caso das carnes, segundo principal setor exportador do agronegócio no mês, houve elevação nas vendas. O volume negociado passou de US$ 1,38 bilhão para US$ 1,5 bilhão, alta de 9%. O incremento se deve à alta nas exportações de carne suína e de frango, pois houve queda na receita auferida com carne bovina.
O valor exportado de carne bovina recuou 9,3%, de US$ 619 milhões em setembro do ano passado para US$ 562 milhões no mesmo mês deste ano. O preço médio para exportação subiu 8%, mas a queda de 16,1% na quantidade embarcada causou a diminuição no ingresso financeiro. Já o setor sucroalcooleiro, terceiro em representatividade na balança agrícola, teve queda de 21,3% no valor exportado, de US$ 1,24 bilhão para US$ 972 milhões entre setembro do ano passado e igual mês deste ano. (Agência Brasil)


