Foi grande a procura ao Hospital Policlinica Duque de Caxias no primeiro dia de seu funcionamento, nesta segunda-feira (8). O atendimento foi acompanhado de perto durante a manhã pelo prefeito Alexandre Cardoso que percorreu os terceiro e quarto andares da unidade, conversando com funcionários e pacientes sobre o funcionamento da unidade nesta primeira fase. O Capital acompanhou a visita. Até o início do próximo ano, a prefeitura estará inaugurando o restante do prédio, que contará com serviço de emergência 24 horas. “A procura superou a expectativa, mas não poderia ser diferente. Creio que nos próximos dias ocorrerá uma redução na procura, mas sei que temos pacientes de outros municípios como São João do Meriti e Rio de Janeiro", explicou. Segundo o levantamento da secretaria de Saúde do município, passaram pelo Hospital nesta segunda-feira, 1.500 pessoas. O número de ultrassonografias chegou a 64.
Durante a primeira visita ao hospital depois de inaugurado, Alexandre Cardoso conversou com a reportagem. Sobre o funcionamento da nova unidade, comentou: “O atendimento superou as expectativas. Temos uma equipe muito comprometida com a solução dos problemas. O que a gente está querendo mostrar é que tem que criar na população a credibilidade que as pessoas não tem, e com razão. Elas estão há dez anos abandonadas. Você não recupera a credibilidade no atendimento de saúde em um ano, em dois, em três anos. É um processo demorado", completou, acrescentando que o Hospital Duque não vai recusar pacientes. “Iremos atender a todos, seja de Caxias ou não. Pretendo acionar o Ministério da Saúde e a secretaria estadual de Saúde para ver como poderemos ser ressarcidos pelo gasto com pacientes de outras cidades. Não podemos deixar a qualidade no nosso serviço cair, mas temos gastos e vou procurar uma forma de receber o que foi gasto com pacientes vindos de fora", prometeu.
Interditado pelo Conselho Regional de Medicina em 2008, o hospital Duque de Caxias deixou de atender por todo esse tempo milhares de moradores dos bairros do primeiro distrito como Senhor do Bonfim, Centenário, Bar dos Cavaleiros, Engenho do Porto, Prainha, Centro, Centenário, Periquitos, Olavo Bilac, Corte 8 e Gramacho, entre outras localidades. Sua reabertura foi uma promessa da atual administração.
A primeira etapa da Policlínica Hospital Municipal Duque de Caxias foi inaugurada oficialmente no último dia 30 de agosto pela prefeitura. Na ocasião foram entregues o terceiro e quarto andares, que abrigaram as seguintes especialidades: Pediatria (Cardiologia, Gastroenterologia, Endocrinologia, Nefrologia, Pneumologia, Neurologia, Odontologia, Otorrinolaringologia, Nutrição, Oftalmologia, Psiquiatria, Dermatologia, Diabetes, Ortopedia, Ginecologia, clínica do Adolescente e Cirurgia Pediátrica); Adulto (Cardiologia, Gastroenterologia, Endocrinologia, Pneumologia, Nefrologia, Neurologia, Odontologia, Psicologia, Oftalmologia, Psiquiatria, Angiologia, Proctologia, Diabetes, Ortopedia, Ginecologia, Pré- natal, Urologia, Cirurgia geral); Exames de Laboratório, Eletrocardiograma, Espirometria, Eletroencefalograma; e Farmácia (Dispensação de medicamentos).
A inauguração da segunda etapa está prevista para o início do próximo ano. Quando o Hospital Duque de Caxias estiver em funcionamento pleno, a previsão é de atender diariamente 1.800 pacientes.
No primeiro dia, 40 médicos no atendimento
Logo que chegou ao hospital, por volta das 7h, a reportagem do Capital encontrou a Subsecretária de Atenção à Saude, Marcia Gagliano Caputo, que acompanhava o atendimento às pessoas que chegavam à unidade. Ela informou que no primeiro dia de funcionamento, 40 médicos faziam parte da equipe. “Teremos na segunda etapa 153 médicos na policlínica", acrescentou a médica. Sobre o atendimento, observou: “Para o primeiro dia está indo bem, porque cada médico atende trinta pacientes, então a previsão é de mil e duzentos atendimentos ao longo do dia", explicando que a maior procura é para especialidades como cardiologia, clinica médica, geriatria e pediatria, além de endocrinologia. Quanto à receptividade das pessoas ao atendimento, ela disse ser de “encantamento. É o que a gente percebe no semblante das pessoas quando entram e veem que está tudo diferente, e para melhor", concluiu.
Usuários elogiam instalações e atendimento
Sonia Maria de Melo, de 76 anos, moradora da Vila São Luiz, no 1º Distrito, elogiou o atendimento. Nascida no Rio, ela diz que reside no município há muitos anos. “Está bonito e funcionando bem, graças a Deus. Fui atendida com muita educação. Cheguei eram 6h15, entrei no consultório às 07h, fui a número dois", disse à reportagem do Capital logo depois de deixar o consultório de geriatria. Ela informou que era atendida no PAM 25 de Agosto há alguns anos e aprovou as novas instalações do hospital.
Janete Costa, de 56 anos, foi a primeira paciente a ser atendida na especialidade de clínica médica. Ao ser perguntada como foi recebida no hospital, ela explicou: “No início ninguém entendia nada, mas depois de algum tempo, tudo se resolveu e eu consegui ser consultada", disse aliviada. Ela acrescentou que mora no bairro Lote XV e também fazia tratamento no PAM. “Qual a sensação de entrar e ser atendida em um hospital novo", quis saber o repórter, ao qual respondeu: “Achei estranho quando cheguei. Mandaram a gente sentar. Acho que o certo era eles darem número para as pessoas entrarem em ordem. Mas eu já estava com a consulta marcada e fui a primeira atendida pelo Doutor Diego.
Miriam Oliveira Braga, de 56 anos, disse que foi ao hospital para tentar agendar atendimento em duas especialidades - cardiologia e ortopedia. E saiu satisfeita com as duas consultas marcadas respectivamente para os dias 16 e 25 próximos. Ela disse ser moradora de São João de Meriti e ao procurar atendimento na UPA de sua cidade, foi encaminhada para Duque de Caxias. “O prefeito de São João não está pagando o salário de ninguém, aí eles não estão atendendo as pessoas, eles [os médicos] vão lá mas não atendem. Aí mandaram a gente vir para cá. Ela disse que foi primeiro na UPA do Parque Lafaiete e lá fizeram o encaminhamento para o Duque. Graças a Deus aqui está funcionando", declarou a paciente.
Comércio local já começa a se levantar
A persistência parece fazer parte da vida do comerciante Samuel Totani, de 65 anos, proprietário de um bar localizado em frente ao hospital. Ele contou à reportagem as dificuldades pelas quais passou ao longo dos últimos seis anos. “Eu trabalhava aqui há uns 15 anos e fui obrigado a baixar as portas quando o hospital foi fechado. Mas não desanimei, continuei pagando o aluguel na esperança de reabrir meu negócio. Tive que vender uma propriedade para poder me manter durante esse tempo, para juntar com a aposentadoria. Quando soube que ele [o hospital] ia ser reaberto, investi R$ 30 mil na reforma da loja. Meu sonho começava a virar realidade", disse sorridente e atencioso no atendimento aos fregueses. - Estou animado e sentido que vai melhorar cada vez mais. Esperamos que em dezembro inaugure a emergência, e o movimento será maior, com certeza – completou, ao apontar outros estabelecimentos que fecharam as portas. Samuel oferece aos fregueses lanches, sanduíches, café e refrigerantes, além de refeições. “A cozinheira já está trabalhando desde cedo", confidenciou o comerciante, depois de atender um ilustre cliente: o prefeito Alexandre Cardoso.
“Pela primeira vez, Caxias tem planejamento de saúde"
- Achei justo entregar a primeira fase porque seria no mínimo extremamente desonesto estar com toda a estrutura pronta e não disponibilizar para a população. Caxias pela primeira vez tem planejamento de saúde. Nós já aumentamos o programa de saúde da família em 50%. Inauguramos o hospital policlínica de atendimento secundário, onde a pessoa que tenha diabetes, tenha uma nefropatia ou uma cardiopatia grave, vai poder se tratar, assim como uma criança que tenha alguma coisa que não possa ser tratada na emergência, vai se tratar, lá vai ter a clinica do adolescente. Qual é a novidade dessa primeira fase do Duque? Vai ter por exemplo a vasectomia. Aqui vai ter a pequena cirurgia, de catarata, de fimose e de hérnia. Para que a gente possa diminuir o movimento do hospital Moacyr, que tem que ter o hospital terciário. Até o início do ano que vem, nós vamos ter no hospital Duque de Caxias uma novidade, que é o hospital de emergência com internação de um, dois ou três dias, que vai resolver 98% de todo o atendimento. Modernamente, hoje você não pode ter um hospital que faça neurocirurgia e que faça cardiologia, que faça cirurgia de tórax e cirurgia de obstetrícia. O Moacyr vai ser um hospital de clinica, hospital de cardiologia, uma grande maternidade com toda a estrutura para atender a gestante, vai ter cirurgia de pequeno e médio portes. Vai ser um hospital de referência dessas ações. Nós já vamos inaugurar uma UPA, que vai ser a primeira do Brasil a ter atendimento de hemodinâmica, e toda a emergência do Moacyr vai estar dentro dessa UPA e o Moacyr vai ser o hospital de referência dessa UPA, como o hospital Infantil vai ser o hospital de referência para a UPA Infantil. Então pela primeira vez essa cidade tem planejamento de saúde, não é com “achismo", que as pessoas saíam fazendo maternidade em toda Caxias e não tinha qualidade, que faziam prédios sem planejamento e sem orçamento. Não é o prédio que resolve a vida da pessoa, é o atendimento com qualidade e eu tenho muita honra de dizer que as nossas ações tem qualidade - disse Alexandre Cardoso em entrevista exclusiva ao Capital.
- A grande diferença hoje é que Caxias passou a ser planejada, planejada na saúde, nas ações ambientais, na educação. Se você colocar no seu jornal perguntando a população assim: O lixo de Caxias melhorou? Sim ou não. A saúde de Caxias melhorou? Sim ou não. A educação melhorou? Sim ou não. Você vai ter 80% dizendo que tudo isso melhorou. Isso é o que? É planejamento. E a questão da ética? Não pode uma cidade toda hora ser motivo de ações policiais. A nossa cidade tem que ser focada no noticiário através de realizações, como a abertura do Duque de Caxias, da UPA infantil. Isso muda a cultura da cidade. Eu acho que é da maior importância que a população saiba a diferença de um governo com planejamento para um governo sem planejamento. Agora, é muito comum, as pessoas quando não tem competência começam a fazer agressões, a falar mentiras. E eu estou naquela linha de não responder às agressões, de não falar mal de ninguém. Eu acho que Deus me abençoa quando me faz governar sem agredir e sem olhar pelo retrovisor. Eu conversei com o ministro da Saúde e estou pedindo um levantamento para ver o número de pessoas que nós atendemos de fora. Hoje a UPA Infantil atende 45% de pacientes de fora, o hospital Moacyr do Carmo tem previsão de atender quase 50%. Eu quero cobrar do ministério o atendimento que eu estou fazendo, eu não vou deixar de atender o morador de Belford Roxo, do Rio de Janeiro. Agora, alguém tem que pagar por isso e não vai ser o caxiense. Quem vai pagar são os órgãos superiores, o governo do estado, o governo federal. O que eu não acho justo é cada vez que eu melhoro a saúde de Caxias, eu atendo mais e aí corro o risco de amanhã não atender com qualidade. É importante que a gente deixe claro que a melhoria da qualidade da saúde não pode ser vista como a solução para os problemas da saúde da baixada fluminense. Então o que nós queremos? Se todo mundo chegar lá às 06h30 da manhã vai ter fila, e as pessoas vão ter que entender que elas podem ir às 06h30, também às 10h ou às duas da tarde. Nós vamos funcionar já aos sábados até meio dia, que é outra conquista - anunciou.
- Quando nós assumimos a prefeitura, três unidades 24hs estavam fechadas durante a noite: Pilar, Imbariê e Campos Elíseos. Nós já botamos todas para funcionar 24hs. A cobertura de saúde da família era de menos de 24%, fomos para 36% e hoje já está chegando a 40%. O hospital Moacyr do Carmo não foi planejado e agora temos que fazer isso. Essas coisas todas mostram que nós demos prioridade absoluta à saúde. Se me perguntarem: Alexandre, está bom? Respondo: Não, mas nós temos aqui cirurgias de catarata que há quatro, cinco, seis anos não eram feitas. É bom dizer que nós tivermos aqui nessa cidade uma vergonha que foi o conselho regional de medicina e a vigilância sanitária interditando o hospital Duque, em 2008. Essas coisas todas nos levam a dizer que nós estamos dando prioridade à saúde e ao planejamento, que essa cidade hoje tem planejamento em saúde - concluiu Alexandre Cardoso.


