O governador Luiz Fernando Pezão, ao participar da abertura do III Balanço do Setor Naval e Offshore do Rio de Janeiro, na sexta-feira (6), estimou que a atividade naval pode chegar a 100 mil empregos. “O Rio precisa dessa atividade que gera hoje cerca de 30 mil empregos e tem condições, com as encomendas que estão previstas para exploração do Pré-sal, de chegar a 100 mil". O evento, realizado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e Fórum de Trabalhadores do setor, discutiu os principais projetos e desafios da indústria naval fluminense e do setor de exploração de petróleo em águas profundas (offshore). O setor naval recebeu investimentos da ordem de R$ 10 bilhões de reais nos últimos anos e emprega, no estado, 30 mil trabalhadores.
O estado deve se consolidar como destino dos principais centros de pesquisa e desenvolvimento do mundo no segmento de óleo e gás. Isso porque 80% dos investimentos do setor no Brasil vão ser feitos no Rio de Janeiro. O Parque Tecnológico da Ilha do Fundão concentra, atualmente, pelo menos 15 grandes centros de empresas como a BG, Halliburton, Schlumberger, FMC e Baker Hughes, em torno do Cenpes, da Petrobras, que recebe investimentos de US$ 1 bilhão por ano.
Iniciativa do Governo do Estado, a criação de um conglomerado de subsea visa a atrair para o Rio de Janeiro empresas voltadas para a fabricação de equipamentos do setor de exploração de petróleo e gás natural que fiquem em águas profundas. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, afirmou que é preciso que o setor rediscuta a política de conteúdo nacional existente no país.
- Hoje o Rio de Janeiro possui 85 empresas de subsea, mas tem muito espaço para atrair novas fabricantes mundiais, considerando que a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), estima que o Brasil vá concentrar 44% dos equipamentos subsea no mundo até 2020. A indústria naval brasileira teve um processo de recuperação que foi excelente, desde 2003, quando a Petrobras voltou a encomendar navios e plataformas no Brasil. Saímos de quatro mil para 30 mil no Rio. Mas está na hora de dar um passo adiante - afirmou Bueno. Ainda entre os tópicos debatidos no seminário, está a ampliação da cadeia produtiva, com os fornecedores de equipamentos subsea. “Na cadeia da construção naval, o interesse dos empresários, do Brasil, dos trabalhadores é investir no valor agregado. Trabalhadores mais especializados, com salários melhores e empresas mais pujantes. É hora de focarmos na cadeira produtiva e isso é um desafio gigante", disse o presidente da Firjan, Eduardo Gouveia Vieira.
O setor teve participação importante na economia fluminense na década de 70, mas entrou em decadência nas décadas de 80 e 90. Hoje, o segmento volta a se fortalecer. O presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, falou sobre este momento. “Devemos lembrar que os países que hoje são líderes na construção naval e offshore levaram décadas para alcançar a posição que ocupam. Nossa indústria, nessa retomada, levou quase uma década para sair de uma quase estagnação para uma expressiva situação. Hoje somos conhecidos como indústria naval relevante. Fruto de ações de todos os envolvidos: governo, empresários e trabalhadores", explicou.


