O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que o Brasil terá ainda de enfrentar desafios para manter o crescimento econômico, nos próximos anos, e um deles é o aumento dos investimentos em infraestrutura. Ele prevê, no entanto, uma melhora no ritmo de evolução do setor, com alta de 7% na média anual de investimentos até 2022 - taxa acima da média de 6,2%, registrada entre 2003 e 2013. “O carro-chefe do crescimento será o investimento", prevê ele, citando entre as áreas que considera fundamentais neste sentido: os setores de infraestrutura - com melhoria das condições de logística -, energético, da construção e da indústria automobilística, além do “capital humano". Mantega também sinalizou que o governo continuará estimulando o consumo interno, embora com menos vigor, e manifestou a expectativa de o país voltar a ter um mercado de capitais mais atrativos.
O passo no sentido de fazer o setor de infraestrutura deslanchar, segundo o ministro, já foi dado com as concessões, que continuarão em andamento. No caso das rodovias, as obras deverão ganhar maior visibilidade a partir do segundo semestre, conforme apontou. Ele mencionou ainda que, no setor petrolífero, só o Poço de Libra , um dos maiores reservatórios do mundo, vai envolver recursos de US$ 80 bilhões em dez anos. Em 35 anos, calcula, os recursos chegarão a US$ 200 bilhões.
Para o ministro, os efeitos da crise internacional de 2008 estão no final. “Estamos no limiar de um novo ciclo de expansão da economia", avaliou. Para ele, o impacto dessa crise foi um dos mais fortes desde a 2ª Guerra Mundial, que levou a uma expansão das economias avançadas a um ritmo menor, em torno de 2% a 2,5%, ante um crescimento bem maior das economias de países emergentes, com destaque para a China e a Índia. Segundo Mantega, a China acumulou um aumento de 66% no Produto Interno Bruto (PIB), de 2008 a 2013, seguida pela Índia, com 43%. O Brasil ficou em quinto lugar, com a média de 3% ao ano, no mesmo período. E entre os países do G20, lembrou, o Brasil teve o melhor superavit primário, com aumento médio de 2,9%.
PRESSÕES - Embora reconheça existirem pressões inflacionárias, com a alta de preços dos alimentos como consequência, por exemplo, da valorização de commodities (produtos básicos com cotação internacional na Bolsa de Chicago; principalmente alimentos agrícolas e minérios), o ministro mantém a previsão de uma inflação neste ano em sintonia com a meta. Segundo ele, "a inflação não vai estourar a meta", cujo centro é de 4,5%, podendo variar dois pontos percentuais para cima ou para baixo. O mercado financeiro e o próprio Banco Central apontam para níveis muito próximos do teto de 6,5% . Mantega prevê, porém, um crescimento do consumo interno em ritmo menor, o que ajuda a arrefecer as pressões inflacionárias.
Para ele, o mercado de capitais é que irá alimentar, em grande medida, a capacidade de investimentos, com tendência de crescimento no movimento de abertura do capital das empresas. Além disso, observou que “há um forte apetite por aplicações [no mercado financeiro] no Brasil", o que mostra, na avaliação dele, confiança no potencial da economia brasileira. Tem ocorrido demanda maior do que a oferta pelos títulos brasileiros, destacou ele, pelos papéis com vencimento de longo prazo.
O ministro fez essas afirmações na última sexta-feira (28), durante aula magna na Escola de Economia da Fundação Getulio Vargas, onde foi homenageado pelo longo tempo que está à frente da condução da economia do país. No dia de hoje, Mantega completa oito anos de atuação à frente do Ministério da Fazenda. (Agência Brasil)


