A falta de qualificação dos candidatos para entrar no mercado de trabalho é uma preocupação do setor industrial. Entre os trabalhadores que estão empregados na indústria, 5,6 milhões não têm o ensino médio, de acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Na busca de ampliar a capacitação, a CNI lançou na última quarta-feira (30) o projeto Educação para o Mundo de Trabalho.
O projeto tem a meta de qualificar quem está prestes a ingressar no mercado de trabalho, como os jovens do ensino médio, os trabalhadores da indústria e também pessoas entre 18 e 24 anos que não estudam e não trabalham. Entre as ações estão a de disseminar informações para a orientação profissional dos jovens, elevar o nível de escolaridade e ampliar o conhecimento de inglês e português dos trabalhadores da indústria e desenvolver cursos presenciais e à distância.
A mobilização para a construção do plano foi iniciada em agosto e as federações das indústrias de todos os estados encaminharam sugestões. As ações do projeto serão desenvolvidas ao longo de 2014.
O empresário Jorge Gerdau, um dos convidados do evento, disse que a deficiência dos jovens chegarem despreparados ao mercado de trabalho começa na educação básica. “Temos que melhorar a educação básica para melhorar a educação para o trabalho. Para atingir essa educação para o trabalho precisamos, não apenas da educação técnica, mas também envolver as pessoas em um patamar de cidadania", disse.
Uma das metas do Educação para o Mundo de Trabalho é envolver empresários, pais, estudantes e professores na busca de melhorar a educação no país.
Através da rede de ensino profissional do SENAI, a Confederação Nacional da Indústria vem garantindo a formação de jovens profissionais para a indústria. Ocorre que, na maioria dos casos, o jovem abandonou a escola ainda na primeira fase do ensino fundamental, logo depois da alfabetização diante da necessidade de ajudar no sustento da família. Longe dos livros, esses jovens irão reforçar o exército de analfabetos funcionais, que podem até ler uma notícia de jornal, mas não terão capacidade de compreender o texto. Até os que cursaram o ensino médio, como comprovam as provas do Enem, tem dificuldade em interpretar o texto das questões da prova, acabando por ser excluído da lista de candidatos a uma vaga na universidade.
Os programas até hoje lançados pelo governo para levar os jovens, de novo, para as salas de aula não vem obtendo o resultado esperado e desejado por uma série de fatores, a começar pela necessidade de renda da família. A falta de qualificação desses jovens acaba engrossando as estatísticas dos empregados sem carteira de trabalho, que acabam indo de um subemprego para o outro, ficando sempre à margem do mercado de trabalho formal.
As inovações tecnológicas, por outro lado, acabam expulsando do mercado de trabalho jovens com baixos níveis de escolaridade, pois, atualmente, até mercadinho de bairro e padarias estão aderindo à automação, como ocorre com as caixas que trocaram as antigas manivelas e alavancas pelo teclado de computador. Sem conhecer o português e o inglês, é impossível operar uma simples copiadora de último modelo, ou até emitir uma nota fiscal eletrônica, exigência das Secretarias de Fazenda de estados e municípios como forma de combater a sonegação de impostos, como o ICMS e o ISS.
Se, por exemplo, o torneiro mecânico Luís Inácio da Silva batesse à porta de uma montadora de veículos, em busca de uma vaga, ele não seria atendido, pois o torno mecânico que ele manejava com facilidade nos anos 60, não existe mais. Ele foi substituído por um torno eletrônico, comandado por um computador. Até os caminhões de último tipo e colheitadeiras tem computador de bordo, além de direção hidráulica e ar acondicionado na cabine.


