O Brasil colherá este ano 47,54 milhões de sacas de café. De acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (9) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), houve queda com relação à projeção de 48,59 milhões de sacas informada pela entidade em maio, mas o volume continua sendo o maior já registrado para um período de baixa bienalidade (alternância anual entre grandes e pequenas produções). Os dados foram apresentados durante a Semana Internacional do Café, que ocorre ao longo desta semana em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, maior estado produtor do grão do país.
O total de sacas previstas pela Conab para esta safra é 6,46% inferior às 50,83 milhões produzidas na colheita anterior. Segundo a companhia, além de o período atual ser de baixa bienalidade, as chuvas irregulares e altas temperaturas na maioria dos estados produtores contribuíram para isso. As geadas no Paraná são consideradas outro fator de influência. O diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sílvio Porto, ressaltou que tem havido uma redução entre os volumes produzidos na alta e baixa bienalidade, o que é positivo. De acordo com ele, o fato deve-se à crescente mecanização, às inovações tecnológicas e à gestão adequada.
Com relação à área plantada, a cultura do café totaliza 2,312 milhões de hectares no país, 0,74% inferior à da última safra. A maior área, 1,236 milhão de hectares, está concentrada em Minas Gerais. A área do estado representa 53,49% da terra cultivada com café no país. (Agência Brasil)
Evento internacional fechará negócios e discutirá crise no setor
Maior produtor mundial de café, o Brasil está sediando desde esta segunda-feira (9) a Semana Internacional do Café, que se estenderá até sexta-feira (13), em Belo Horizonte. A escolha da cidade deve-se ao fato de Minas Gerais concentrar a maior produção do grão no país, sendo responsável anualmente por mais de 50% do total colhido. Durante os cinco dias, 200 delegados da Organização Internacional do Café (OIC) representando 77 países discutirão os rumos da cafeicultura. Haverá ainda premiações e rodadas de negócios, com previsão de movimentação de R$ 20 milhões na feira e R$ 30 milhões indiretamente.
Um dos temas em pauta ao longo da semana será a crise dos preços do café, que afeta tanto o mercado internacional quanto o doméstico. “Vamos apresentar números para discutir com todos os países-membros e teremos uma conferência de imprensa na quinta-feira [12]", explica Robério Silva, diretor executivo da OIC, organização intergovernamental que reúne os principais países produtores e importadores de café. O organismo, que tem sede em Londres, fará reunião comemorativa de 50 anos durante a Semana Internacional do Café Na avaliação de Silva, o temor do mercado sobre o risco representado por safras volumosas não procede. “São expectativas de que você possa ter safras maiores no futuro e que não tenha consumo. Mas o café passou ao largo dessa crise [econômica global]. As pessoas continuam consumindo", ressalta.
Quanto às dificuldades dos produtores brasileiros, que se queixam do custo de produção superior ao preço mínimo, atualmente em R$ 307, o diretor executivo diz que é preciso aguardar os resultados dos leilões do governo. Uma portaria publicada na sexta-feira (6) no Diário Oficial da União estabeleceu os parâmetros para venda de 3 milhões de sacas a R$ 343 cada.
A Semana Internacional do Café é promovida pelo governo de Minas Gerais, pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), pela Organização Internacional do Café (OIC) e pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o das Relações Exteriores. Segundo informações da organização, são esperados 12 mil visitantes durante os cinco dias de feira. (Agência Brasil)


