O carnaval, maior evento popular do Rio de Janeiro, aquece cada vez mais a economia fluminense. Esse ano, segundo previsão da Riotur, é de 50 mil turistas a mais que no ano passado, um acréscimo de 5,8% no número de visitantes. A estimativa é de que cerca de 900 mil pessoas, vindas do Brasil ou de outros países, tenham contribuído para a movimentação de U$ 665 milhões (mais de R$ 1 bilhão) no Estado do Rio.
- Esse crescimento na visitação, em ano de recessão na Europa, demonstra a consolidação do carnaval como evento internacional. A projeção é que 70% desses turistas sejam do exterior - afirmou Luiz Carlos Prestes Filho, assessor para o Desenvolvimento da Indústria Cultural da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedeis) e autor do estudo Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval.
A importância dos gastos de turistas e foliões cariocas é notada em vários setores da economia fluminense. “O carnaval é estruturante para o comércio. Por exemplo, na Saara (no centro do Rio de Janeiro) é o segundo maior evento para venda de produtos. Para o setor de transportes, a festa também é muito importante", disse o pesquisador.
Segundo o estudo realizado por Prestes, 89% do dinheiro que circula no estado tem origem nos turistas, e pode ser separado em: 32% gastos com transporte (aéreo, rodoviário ou marítimo), 29% com alimentação e bebidas,18% com compra de fantasias e 10% com hotelaria. De acordo com a pesquisa, a cadeia produtiva do carnaval engloba vários setores, como comércio, bares e restaurantes. “Todos os anos, são criados em média 250 mil postos somente para atender as demandas da festa, principalmente em barracões e ateliês de escolas de samba, além de restaurantes, hotéis e outros setores ligados ao carnaval", explicou Prestes.
Recorde internacional de atracações de navios
O terminal de passageiros do Porto do Rio registrou recorde de atracações simultâneas e de desembarques no domingo (10), quando 40 mil pessoas chegaram em oito transatlânticos de uma só vez para passar o Carnaval na cidade. Durante todo o feriado foram 12 atracações no total e 79 mil pessoas transitaram pelo terminal, o que, conforme estimativa do diretor de Operações do Pier Mauá, Américo Relvas da Rocha, implicará numa injeção de US$ 17,7 milhões na economia fluminense. O Píer Mauá receberá 179,896 mil passageiros somente este mês. Em março serão mais 110,689 mil e em abril a previsão é de outros 13,516 mil turistas desembarquem de navios na cidade.
Dos oito transatlânticos, Azamara Quest, Costa Favolosa, Costa Fortuna, Costa Fascinosa, Grand Holliday, Maasdam, Sovereign e Grand Princess, três são de bandeira estrangeira, sendo que o último aportou pela primeira vez no Rio, vindo de Fort Lauderdale, na Flórida, Estados Unidos. Com 109 mil toneladas e 17 andares, o transatlântico é um dos maiores entre os que atracaram na cidade. Com capacidade para 2,6 mil passageiros, o navio tem cinco restaurantes, duas salas de espetáculos a maior com 700 lugares, além de cafés, bistrôs, pizzaria e fast foods, cassino, biblioteca, galeria de artes, boutiques, joalheria, free shop, spa, academia, bares e duas piscinas. Antes de chegar ao Rio, o transatlântico passou por Salvador e Fortaleza, no Brasil. O cruzeiro tem duração de 45 dias e na terça-feira segue viagem que será concluída em San Francisco, nos EUA.
- O píer hoje é uma babel, temos turistas de várias partes do mundo, praticamente de todos os continentes. Além dos três navios estrangeiros, os outros transatlânticos também trouxeram turistas do exterior. Temos passageiros dos Estados Unidos, de vários países da Europa como Espanha, Alemanha, Itália, Holanda, Turquia, além de vários países da América Latina, Ásia e África. Estamos falando diferentes idiomas aqui hoje – disse Rocha.


