O ministro Joaquim Barbosa, que tomou posse quinta-feira (dia 22) como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aproveitou o momento para criticar a desigualdade de acesso à Justiça e a subordinação pela qual os juízes precisam se submeter para ascender profissionalmente. “Há um grande déficit de Justiça entre nós. Nem todos os brasileiros são tratados com igual consideração quando buscam a Justiça. Ao invés de se conferir à restauração de seus direitos o mesmo tratamento dado a poucos, o que se vê aqui e acolá - nem sempre, é claro, mas às vezes sim - é o tratamento privilegiado, o bypass. A preferência desprovida de qualquer fundamentação racional," disse em discurso. Para o ministro, o Judiciário deve ser “sem firulas, sem floreios, sem rapapés" e deve se esforçar para dar resposta célere à sociedade, com duração razoável do processo. Segundo Barbosa, a lentidão processual pode produzir um “espantalho capaz de espantar investimentos produtivos de que tanto necessita a economia nacional. “De nada valem as edificações suntuosas, os sistemas de comunicação e informação, se naquilo que é essencial a Justiça falha porque é prestada tardiamente e porque presta um serviço que não é imediatamente fruível", argumentou.
Na última parte do discurso, Barbosa reforçou a independência do juiz e a necessidade de afastá-lo da má influência para a ascensão profissional. “Nada justifica a pouco edificante busca de apoio para uma singela promoção de juiz de primeiro grau. Ele deve saber quais são suas perspectivas de promoção e não tentar obter pela aproximação do poder político dominante no momento", disse o ministro, que foi muito aplaudido. Segundo o ministro, os juízes são “produtos de seu meio e de seu tempo", e devem atuar de acordo com os valores da sociedade em que vivem. “Nada mais ultrapassado e indesejado que aquele modelo de juiz isolado e fechado, como se estivesse encerrado em uma torre de marfim".
Um dos oito filhos de um lavadeira e um pedreiro, Joaquim Barbosa, mineiro de Paracatu, saiu de casa aos 16 anos, sozinho, para tentar melhor de vida em Brasília. Trabalhou na gráfica do jornal “Correio Brasilienese" enquanto fazia o ensino médio nua escola publica do Distrito Federal. Conquistou o seu bacharelado em Direito pela Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu título de mestrado em Direito do Estado. Foi Oficial de Chancelaria do Ministério das Relações Exteriores (1976-1979), tendo servido na Embaixada do Brasil em Helsinki, Finlândia e, após, foi advogado do Serpro (1979-84). Aprovado em concurso público para procurador da República, licenciou-se do cargo e foi estudar na França, onde obteve mestrado e doutorado ambos em Direito Público, pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e 1993. Retornou ao cargo de procurador do MP Federal no Rio de Janeiro e de professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Foi “visiting scholar" no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000) e na Universidade da Califórnia Los Angeles School of Law (2002 a 2003). Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês, alemão e espanhol. Toca piano e violino desde os 16 anos de idade.
Ingressou no STF por indicação de Lula em 2003, no único momento da sua vida em que a cor da pele, mais do que seu saber jurídico e cultural, foi marcante, pois Lula, no momento da indicação de um novo ministro do Supremo, buscava apenas um Negro, uma espécie de marketing junto à comunidade negra de todo o mundo. Só isso.


