Uma semana após o caos causado por um cargueiro da companhia estrangeira Centurion quebrado no meio da pista de Viracopos, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) decidiu autuar a empresa em R$ 2,8 milhões. Em nota, o órgão regulador citou artigo do Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA) que prevê multa em casos de transtornos causados à ordem pública. Além disso, a Secretaria de Aviação Civil (SAC), que coordena os órgãos do setor, informou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Infraero vão entrar com ação de indenização contra a empresa. A estimativa do governo é que o fechamento do terminal, o segundo mais importante em movimentação de cargas, gerou um prejuízo de R$ 3 milhões.
As companhias aéreas alegam, por sua vez, que tiveram prejuízo de R$ 20 milhões com despesas de prestação de assistência aos passageiros. Com a interdição do aeroporto - entre as 19h55m de sábado e 16h20m de segunda-feira - 512 voos foram cancelados, o que prejudicou 27 mil passageiros, principalmente da Azul. O aeroporto só voltou a funcionar às 17h35m de segunda-feira.
Em nota, a SAC alegou que o fechamento da pista ocorreu por questões de segurança. Informou ainda que o governo fará uma análise da situação de todos os aeroportos, bem como dos planos de emergência de cada um para evitar que o problema se repita. O CBA - que diz apenas que a responsabilidade pelas despesas com remoção de aviões inoperantes é das próprias companhias - deverá ser revisto. Segundo a nota da Anac, a autuação é resultado do processo administrativo aberto para apurar responsabilidades, tanto da Infraero, quanto da empresa, que demoraram dois dias para remover o avião da pista. Dependendo das conclusões, a empresa Centurion pode ser proibida de operar o Brasil.


