A 20 dias das eleições municipais, o Conselho Federal de Medicina lança uma verdadeira bomba, que pode mudar o destino de candidatos nos mais de 5.500 municípios, em especial dos disputam a reeleição. O levantamento do CFM com base em dados do próprio Ministério da Saúde aponta que quase 42 mil leitos de internação do Sistema Único de Saúde (SUS) foram desativados entre outubro de 2005 e junho de 2012. Entre as especialidades mais atingidas com o corte, de acordo com a análise, estão a psiquiatria (-9.297 leitos), a pediatria (-8.979), a obstetrícia (-5.862), a cirurgia-geral (-5.033) e a clínica-geral (-4.912).Mato Grosso do Sul é apontado como o estado brasileiro que mais perdeu leitos (-26,6%), seguido pela Paraíba (-19,2%) e pelo Rio de Janeiro (-18%).
Em Duque de Caxias, por exemplo, foram fechadas nos últimos anos, nada menos de oito maternidades, entre as quais a Santa Helena, no bairro 25 de Agosto, que chegou a realizar até mil partos por ano. Também foi fechada a Casa de Saúde Santa Cecília, especializada em geriatria, a Cotefil - especializada em ortopedia - e o Sanatório de São Bento, destinado ao tratamento de pessoas com transtornos mentais.
Por meio de nota, o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila, avaliou que grande parte dos problemas enfrentados pelo SUS passa pelo subfinanciamento e pela falta de uma política eficaz de presença do Estado. “Os gestores simplificaram a complexidade da assistência à máxima de que ‘faltam médicos no país’. Porém, não levam em consideração aspectos como a falta de infraestrutura física, de políticas de trabalho eficientes para profissionais da saúde, e, principalmente, de um financiamento comprometido com o futuro do SUS", disse no comunicado. Em resposta à divulgação da pesquisa, o Ministério da Saúde apontou falhas no levantamento. De acordo com a pasta, o CFM não fez uma interpretação correta dos números, já que os dados não foram analisados ano a ano e os leitos remanejados não foram levados em consideração.
No centro da polêmica está o cidadão - contribuinte e eleitor - que, mesmo dispondo de um plano de saúde privado, enfrenta os mesmos problemas dos sem plano, principalmente na demora para realizar exames fundamentais para o completo diagnóstico do se quadro clínico. Essa demora na realização dos exames pode chegar a seis meses na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como uma tomografia da tireóide em caso de suspeita de câncer.


