O município do Rio de Janeiro deverá ganhar mais um bairro em breve. A Câmara Municipal votará, em segunda discussão, o Projeto de Lei 951/2011, do vereador Dr. Jairinho (PSC), que cria o bairro da Lapa, hoje um sub-bairro do Centro. Berço da boemia carioca, a Lapa não para de crescer e hoje é uma das principais opções de lazer na cidade. A onda de investimentos em bares e casas noturnas reafirma a vocação que fez da região um símbolo da cultura e da diversidade carioca. “A Lapa precisa ser reconhecida como bairro em sua essência, com autonomia administrativa. Hoje, ela recebe um público médio de 110 mil pessoas por fim de semana, movimentando quase R$ 4 milhões entre sexta-feira e domingo", justifica o vereador. O projeto foi aprovado em primeira votação em dezembro e deverá ser confirmado em segunda votação na próxima semana.
Abrigando sobrados históricos, casas de shows e monumentos arquitetônicos, a Lapa tem importância fundamental na cultura carioca. O samba, o pagode, o choro e diversos outros gêneros musicais convivem lado a lado, atraindo visitantes de todas as partes. "As décadas de abandono ficaram para trás. Agora é preciso garantir um planejamento adequado à região, valorizando itens como infraestrutura, segurança e ordem urbana. Daí a necessidade de conferir o status de bairro à Lapa. Ela merece, com toda certeza", completou Jairinho.
Pelo projeto, o bairro terá os seguintes limites: Rua Senador Dantas (desde a Rua Mestre Valentim até a Rua Conde Lages), Rua Conde Lages (Rua Joaquim Silva até a Ladeira de Santa Teresa), Ladeira de Santa Teresa (desde a Rua Joaquim Silva até a Rua do Riachuelo), Rua do Riachuelo (desde a Ladeira de Santa Teresa até a Rua dos Invalidos), Rua dos Inválidos (desde a Rua do Riachuelo até a Av. Henrique Valadares, sequindo pela Av. República do Chile até encontrar a Rua Senador Dantas), e Rua Senador Dantas até a Rua Mestre Valentim.
A Lapa adotou, por exemplo, o pintor e ceramista chileno Jorge Selarón, que ganhou notoriedade em todo o mundo por seu trabalho na escadaria que liga o final da Rua Teotônio Regadas ao Convento de Santa Teresa, em 1994, quando seus 215 degraus e 125 metros decorados com mais de 2.000 azulejos diferentes, provenientes de mais de 60 países. O local abriga também a Sala Cecília Meireles e o Circo Voador, considerado um dos principais espaços para shows no Rio de Janeiro e que desde os anos 80 atrai milhares de pessoas a shows e apresentações de conjuntos de rock.


