Queda no preço dos alimentos desacelera IPCA para 0,07% em julho e inflação volta para a meta
- ago 11, 2026
Alimentação mais barata e recuo nos combustíveis seguram o índice do IBGE no menor patamar desde 2022; energia elétrica e passagens aéreas lideraram altas no mês.
A inflação oficial do país perdeu força pelo quarto mês consecutivo e fechou o mês de julho em 0,07%. O alívio no bolso das famílias foi impulsionado principalmente pela queda nos preços dos alimentos, que puxou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para baixo. Com o resultado divulgado nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador acumula alta de 4,44% nos últimos 12 meses, retornando para dentro do intervalo de meta do governo federal.
O centro da meta de inflação perseguido pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (intervalo entre 1,5% e 4,5%). Com a marca de 4,44%, o IPCA reentra no teto estipulado após ter ultrapassado os limites em maio (4,72%) e junho (4,64%). Pela regra em vigor desde o início de 2025, a meta é avaliada de forma contínua considerando os 12 meses imediatamente anteriores.
O resultado mensal veio alinhado às expectativas do mercado financeiro. O relatório Focus do Banco Central projeta que a inflação feche o ano de 2026 em 5,02%.
Alimentos mais baratos e impacto do clima
Pelo segundo mês seguido, o grupo de Alimentação e Bebidas — que possui o maior peso no orçamento das famílias — apresentou deflação (-0,67%). A alimentação no domicílio caiu 1,14%, impulsionada pela maior oferta de hortaliças e legumes decorrente de condições climáticas mais favoráveis.
"O clima ficou mais favorável", afirma Fernando Gonçalves, analista da pesquisa do IBGE.
Entre os itens que mais ajudaram a frear o custo de vida em julho estão:
- Tomate: -29,09% (-0,10 p.p.)
- Batata-inglesa: -19,59% (-0,06 p.p.)
- Cenoura: -14,41% (-0,01 p.p.)
- Café moído: -2,45% (-0,01 p.p.)
No caso do café moído, o IBGE destaca que o recuo acumulado em 12 meses (-17,2%) é o maior registrado desde a implantação do Plano Real, em 1994.
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Pressão da luz e passagens aéreas
Apesar do recuo nos alimentos, o item com maior impacto individual de alta no mês foi a energia elétrica residencial (3,09%), gerando uma contribuição de 0,13 ponto percentual no índice global. A alta decorre de reajustes tarifários aplicados em regiões metropolitanas como São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.
A expectativa para o próximo mês, no entanto, é de alívio. Fernando Gonçalves lembra que as contas de luz devem ter uma redução em agosto devido ao repasse do Bônus Itaipu, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
No grupo Transportes, os combustíveis deram trégua (-1,44%), com reduções no etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%). No entanto, a alta acentuada nas passagens aéreas (11,67%) evitou uma queda mais expressiva do setor.
Trajetória do IPCA em 2026
O resultado de 0,07% representa o menor desempenho para um mês de julho desde 2022 (-0,68%). Confira a evolução do indicador ao longo do ano:
- Janeiro: 0,33%
- Fevereiro: 0,70%
- Março: 0,88%
- Abril: 0,67%
- Maio: 0,58%
- Junho: 0,16%
- Julho: 0,07%
O índice de difusão do IPCA ficou em 50% em julho, mostrando que exatamente metade dos 377 produtos e serviços pesquisados teve variação positiva de preço. O IPCA mede a variação de preços para famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos em dez regiões metropolitanas, além de Brasília e seis capitais brasileiras. (com informações da Agência Brasil)
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