A visita do Secretário José Mariano Beltrame, nesta quinta (26), a convite do Conselho Comunitário de Segurança Pública de Duque de Caxias, órgão consultivo do Governo do Estado para a política e Segurança, será uma oportunidade única para a Baixada Fluminense discutir a Segurança que todos queremos. Apesar do Governo discordar da migração de marginais das áreas pacificada em direção a nichos da Baixada Fluminense, os números coletados pelo Instituto de Segurança Publica (ISP) - órgão de pesquisa e planejamento do Estado - comprovam o crescimento do índice de criminalidade na região a partir da implantação das UPPs em comunidades da Capital que estavam sob o domínio de quadrilhas de traficantes e milicianos.
Até agora, o Governo ainda não anunciou por onde começará a implantar UPPs na Baixada, área muito diferente das antigas possessões dos marginais, como Complexo do Alemão, Rocinha ou Vila Vintém. A Baixada vem se desenvolvendo nas últimas décadas com a mesma velocidade com que a estrutura de Segurança Pública da região vem se deteriorando. É inaceitável que a Delegacia Legal implantada em Campos Elíseos seja inundada a cada chuva, da mesma forma que não se compreende a falta de equipamentos e de pessoal na 59ª D. Caxias, que, até a semana passada era uma delegacia concentradora, com seus xadrezes superlotados e sob risco de uma rebelião a qualquer momento.
Desde a colonização, a Baixada Fluminense sempre foi considerada uma grande senzala, cujo papel era (e ainda é) o de fornecer mão de obra barata para gáudio de famílias abastadas da Capital. Embora a região seja hoje um grande pólo industrial, seus executivos moram na Barra da Tijuca, onde gastam o dinheiro que aqui recebem, reforçando o PIB da Capital, deixando para os moradores da Baixada a convivência forçada com valas de esgotos e rejeitos industriais perigosos, como é o caso de Belford Roxo, onde funcionava uma empresa química de capital alemão, ou dos pescadores de Mauá, em Magé, sempre sujeitos a ficarem sem trabalho devido ao vazamento e óleo de navios, dutos e da própria Refinaria Duque de Caxias.
Na área de Segurança Publica, o Secretário Beltrame precisa explicar como e quando o Governo do Estado pretende fazer o recompletamento do contingente dos Batalhões, como é o caso gritante de Duque de Caxias, que hoje conta com pouco mais de 600 homens para garantir a segurança de um milhão de pessoas, que ocupam boa parte dos 446 km2 do município, bem como de milhares de empresas que aqui funcionam, gerando emprego e renda.
Outra preocupação da população é com a falta de pessoal, equipamento e viatura das 4 delegacias do segundo município em arrecadação do Estado, a começar pela Polícia Técnica, fundamental para as investigações policiais num momento em que uma substância química – aluminol – permite encontrar resíduos de sangue no local do crime e nas roupas dos suspeitos, da mesma forma que câmeras instaladas nas grandes empresas, para se prevenirem da bandidagem, vem sendo utilizadas com frequência e sucesso para desvendar crimes aparentemente insolúveis, como foi o caso do assassinato da Juíza Patrícia Acioli.
Há muitas perguntas a serem feitas, mas a principal é: quando a Secretaria de Segurança Pública vai entender que o Estado do Rio vai além do rio Meriti e da paradisíaca Barra da Tijuca?


