Brasil bate Japão de virada nos acréscimos e avança às oitavas da Copa do Mundo 2026
- jun 29, 2026
Com gol heroico de Martinelli no fim, Seleção supera primeiro tempo de pesadelo e mantém vivo o sonho do hexa em Houston
O sonho do hexacampeonato segue vivo e pulsante para o Brasil na Copa do Mundo de 2026. Em um confronto carregado de dramaticidade do início ao fim, a Seleção Brasileira venceu o Japão por 2 a 1 nesta segunda-feira (29), em Houston, nos Estados Unidos, em partida válida pela fase de 16 avos de final.
Após um primeiro tempo de extrema instabilidade, a equipe comandada por Carlo Ancelotti demonstrou poder de reação na etapa final e buscou a classificação nos acréscimos com um gol salvador do atacante Gabriel Martinelli, que saiu do banco de reservas para se tornar o herói da noite perante a maioria dos 68 mil torcedores presentes no estádio.
Mestre supera o discípulo em reedição de "clássico dos animes"
O confronto em Houston vinha sendo tratado nos bastidores como o duelo entre "mestre" e "discípulo", dado o histórico de o Japão ter o Brasil como sua maior inspiração no futebol. Ícones como Zico, eterno ídolo do Flamengo e da Seleção, e Ruy Ramos, que fez carreira e se naturalizou no país asiático, são apontados como personalidades fundamentais para o desenvolvimento do esporte na Terra do Sol Nascente.
Essa reverência cultural se estende até as telas. "Super Campeões", um dos animes mais populares no Brasil no fim dos anos 1990, narra a trajetória de Oliver Tsubasa, personagem inspirado em Musashi Mizushima — ex-jogador japonês que defendeu a base e o profissional do São Paulo entre 1975 e 1985. Na ficção, Tsubasa atua pelo "Brancos", uma versão inspirada no Tricolor Paulista.
Curiosamente, o último episódio da série animada retratou justamente a final da Copa do Mundo de 2002 entre Brasil e Japão. Como o desenho terminava logo após o apito inicial, deixando o desfecho em aberto, torcedores e fãs da produção trataram a partida desta segunda-feira como a "continuação" daquela decisão. No campo real, a festa foi brasileira.
45 minutos de pesadelo e erro na saída de bola
Carlo Ancelotti repetiu a escalação que havia goleado a Escócia por 3 a 0 na última quarta-feira (24), em Miami, e o Brasil iniciou a partida com postura agressiva. Aos 12 minutos, na primeira grande chance, Matheus Cunha recebeu de Bruno Guimarães na entrada da área, cortou para a perna esquerda e finalizou rasteiro, exigindo grande defesa do goleiro Zion Suzuki.
Contudo, os Samurais Azuis equilibraram as ações ao adiantarem suas linhas de marcação. O castigo veio aos 28 minutos após um erro de passe do lateral Danilo na intermediária. O volante japonês Kaishu Sano interceptou a bola, avançou pelo meio, superou Casemiro — que jogava pendurado com um cartão amarelo — e bateu rasteiro no canto direito de Alisson, abrindo o placar.
Atrás no marcador, o Brasil sucumbiu ao nervosismo. Com Vinícius Júnior e Rayan neutralizados nas pontas, a Seleção encontrou sérias dificuldades para romper as linhas defensivas adversárias. Previsível e ansiosa, a equipe verde-amarela forçou jogadas e acabou dominada pelo eficiente toque de bola japonês até o intervalo.
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Mudança tática, pressão aérea e o empate de Casemiro
Precisando mudar o panorama do jogo, Ancelotti promoveu a entrada do atacante Endrick no lugar de Lucas Paquetá, que deixou o gramado queixando-se de dores na coxa esquerda. A alteração desenhou um segundo tempo de ataque contra defesa, com o Brasil apostando fortemente no jogo aéreo.
Aos seis minutos, Bruno Guimarães cabeceou firme após cruzamento de Danilo, parando em Suzuki. Dois minutos depois, Rayan levantou na área, Douglas Santos escorou e Casemiro finalizou na pequena área, mas o zagueiro Takehiro Tomiyasu salvou em cima da linha.
A insistência deu resultado aos 9 minutos. Vinícius Júnior acionou Gabriel Magalhães na esquerda; o zagueiro cruzou na medida e Casemiro se redimiu, ganhando pelo alto do meia Keito Nakamura para testar firme para as redes: 1 a 1.
O gol inflamou o time. Aos 12 minutos, Vinícius Júnior protagonizou uma pintura ao dar uma caneta em Tomiyasu, driblar Sano de corpo e chutar cruzado de bico, carimbando a trave de Suzuki.
O teste de paciência e a estrela de Gabriel Martinelli
Buscando renovar o fôlego ofensivo pelas pontas, Ancelotti sacou Matheus Cunha para a entrada de Gabriel Martinelli. O atacante do Arsenal passou a revezar o posicionamento com Vinícius Júnior entre a ponta esquerda e a faixa central, dando suporte a Endrick.
Com o passar do tempo, o ritmo intenso diminuiu e a partida transformou-se em um verdadeiro teste de paciência. O Brasil mantinha a posse de bola no campo ofensivo procurando brechas, enquanto o Japão se fechava de forma reativa, armado para o contra-ataque.
Quando o confronto parecia se encaminhar inevitavelmente para a prorrogação — e logo após Casemiro deixar o campo com dores para a entrada de Fabinho —, brilhou a estrela de Martinelli. Aos 49 minutos do segundo tempo, Rayan serviu Bruno Guimarães, que achou um passe cirúrgico para o camisa 22. Cara a cara com o goleiro Suzuki, Martinelli bateu cruzado. A bola ainda beliscou a trave esquerda antes de balançar as redes e garantir a classificação heroica.
Próximo desafio: Oitavas de final à vista
Com a vaga carimbada, a Seleção Brasileira aguarda agora o vencedor do confronto entre Noruega e Costa do Marfim, que se enfrentam nesta terça-feira (30), às 14h (horário de Brasília), em Dallas.
O duelo das oitavas de final está marcado para o próximo domingo (5) de julho, às 17h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, localizado em Nova Jersey, nos Estados Unidos. (com informações da Agência Brasil)
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