Em ação com a Interpol, Polícia Federal prende em Dubai hacker do caso Banco Master
- mai 18, 2026
Victor Lima Sedlmaier estava foragido e foi capturado nos Emirados Árabes Unidos; investigado integrava grupo cibernético que atuava para ex-banqueiro
A Polícia Federal (PF) prendeu, no último sábado (16/05), o hacker Victor Lima Sedlmaier, um dos principais investigados na Operação Compliance Zero. A ação apura um escândalo financeiro bilionário que envolve o Banco Master e seu ex-proprietário, Daniel Vorcaro.
Sedlmaier era considerado foragido da Justiça e possuía um mandado de prisão em aberto expedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi capturado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em uma mobilização conjunta entre a PF, a Interpol e a polícia local.
Em nota oficial, a Polícia Federal informou que acionou prontamente os mecanismos de cooperação policial internacional junto às autoridades árabes assim que foi identificada a tentativa de entrada do investigado no país exterior.
"A partir da atuação conjunta, foi determinada a não admissão do investigado no país e sua imediata deportação ao Brasil", declarou a PF em nota.
O hacker, que é alvo da 6ª fase da Operação Compliance Zero, foi formalmente detido logo após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Milícia pessoal e monitoramento digital ilegal
A 6ª fase da operação, deflagrada na última quinta-feira (14/05), culminou também na prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. De acordo com os relatórios da PF, Henrique desempenhava um papel central no gerenciamento do grupo denominado "A Turma", apontado pelas investigações como uma espécie de milícia pessoal do ex-banqueiro.
Os principais alvos desta etapa recente foram as estruturas batizadas de "A Turma" e "Os Meninos". Conforme o relatório encaminhado pela PF ao STF, ambos os grupos eram constituídos por agentes que realizavam ações coordenadas de monitoramento e intimidação contra desafetos de Henrique e Daniel Vorcaro.
Leia também: Ministra Cármen Lúcia vota contra redistribuição de royalties
Leia também: Governo antecipa renovação de concessões de energia e projeta R$ 130 bilhões em investimentos
Leia também: Lucro do Banco do Brasil cai 54% impactado pela crise de inadimplência no agronegócio
No caso específico de Victor Lima Sedlmaier, as investigações apontam que ele integrava "Os Meninos". O braço era especializado em:
- Ataques cibernéticos e invasões telemáticas;
- Derrubada de perfis em redes sociais;
- Monitoramento digital ilegal em benefício direto de Daniel Vorcaro.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator do caso e autoridade que autorizou as prisões, detalhou a participação familiar no esquema criminoso:
“Em síntese, o que se extrai, nesta fase, é que HENRIQUE MOURA VORCARO não apenas se beneficiava dos serviços ilícitos da Turma, mas os solicitava, os fomentava financeiramente e permanececia em contato com seus operadores mesmo após o avanço ostensivo das investigações, revelando vínculo funcional intenso, contemporâneo e indispensável à manutenção do grupo criminoso”, descreve o ministro do STF André Mendonça.
Origem das provas e transferência para presídio federal
A existência da milícia pessoal foi descoberta pela Polícia Federal a partir de dados e mensagens extraídas do telefone celular do próprio Daniel Vorcaro.
As evidências sobre as atividades ilícitas operadas pelo grupo ganharam robustez com o avanço das apurações, incluindo conversas obtidas no aparelho celular do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Silva foi preso em Belo Horizonte no dia 4 de março, durante a 3ª fase da Operação Compliance Zero.
Por determinação da Justiça, devido ao seu protagonismo e alto poder de ingerência sobre as ações de "A Turma", o ex-policial foi transferido do sistema prisional de Minas Gerais para uma penitenciária federal de segurança máxima.
Tags



