Há exatos 68 anos, um pedaço de chão da gloriosa Baixada Fluminense, por obra e graça de seus corajosos moradores - muitos expulsos do Rio de Janeiro pelas obras do celebrado prefeito Pereira Passos - transformava-se em mais uma cidade da Província do Rio de Janeiro, transmudando-se da modesta Vila Meriti (tipo de palmeira comum nas terras encharcadas da região) em Caxias, como homenagem a um dos homens mais importantes do Império e que aqui nascera, na Fazenda São Paulo, hoje Taquara.
Em seis décadas, de importante produtor rural - que alinhava laranja (tipo exportação), mandioca, cana de açúcar, café e leite - Duque de Caxias se transformou em importante pólo industrial, que produz e exporta gasolina, borracha, móveis, produtos da metalurgia, gerando divisas importantes para o desenvolvimento do País. Infelizmente, a cidade berço do herói Duque de Caxias ainda tem muitos desafios pela frente. Embora seja o 2º PIB do Estado e entre os maiores do País, o município tem o maior número de favelas entres os seus vizinhos da Região Metropolitana, enquanto pouco mais de 50% de sua população tem acesso a água e esgotos tratados.
Assim como em outras grandes metrópoles, o sistema de transporte Público é caótico, com trens mal conservados, ônibus superlotados que cumprem horário, enquanto a população de alguns bairros ainda convive com falta de saneamento. Apesar do Fundeb, o índice de analfabetismo e de repetência dos que conseguem vagas nas escolas continua alto, o IDH, não está entre os melhores do País. Em termos de habitação, centenas de famílias ainda vivem em margens de rios que transbordam, em barrancos que deslizam com qualquer chuva, ou em guetos controlados por milícias ou traficantes. Apesar disso, o município está bem situado diante da indústria hoteleiras, principalmente em vista do número de empresas internacionais que estão participando de diversos projetos industriais em torno da Reduc. Tem até uma empresa alemã, que começou este mês a construir em Campos Elíseos a sua primeira fábrica de bombas hidráulicas no exterior, mas se viu obrigada a terceirizar a produção para atender a pedidos de clientes que atuam no abastecimento de água na Argentina e Equador.
Temos sítios históricos importantes, mas permitimos que a industria da construção civil destrua, a golpes de marretas, alguns pontos importantes da nossa história, como ocorreu com a Fábrica Nacional de Motores (FNM), a Fabrica de Tecidos do Corte Oito, o Terreiro da Goméia e a antiga Igreja de Santo Antonio, na Rua José de Alvarenga. A omissão de nossas autoridades em relação à nossa memória é de tal magnitude que até um casarão, que serviu de sede provisória da Prefeitura e do Fórum em 31 de dezembro de 1943, foi derrubada durante um feriadão, para que a cidade não reagisse a esse estupro cultural.
Parafraseando Galileu Galilei, apesar de tudo, Duque de Caxias cresce! Poderá até ser escolhida como sede de treinamento para equipes que participarão das Olimpíadas de 2016!


