Em busca de uma silhueta esguia, há séculos homens e mulheres travam uma luta diária com a balança e o espelho. O vilão da história acaba sendo o espelho por revelar, de forma concreta e absolutamente indiscreta, a existência daquelas gordurinhas incômodas, com nomes nada simpáticos como pneuzinhos ou estrias. Se antes a razão por essa verdadeira guerra contra os quilinhos a mais – especialmente na cintura - era atribuída à vaidade (teu nome é mulher), um estudo recente feito pela fisioterapeuta Elisa Sonehara e sua equipe, durante 12 semanas, com mulheres a cima do peso em Natal, Rio Grande do Norte, comprovou a relação entre o excesso de gordura no abdome com a redução da capacidade respiratória. Com menos oxigênio chegando ao pulmão, o coração acaba sendo sobrecarregado.
Segundo a Agencia Notisa, especializada em noticiário sobre saúde, estar acima do peso altera a qualidade da respiração. Essa espantosa conclusão está no artigo “Efeitos de um programa de reabilitação pulmonar sobre mecânica respiratória e qualidade de vida de mulheres obesas", publicado este ano na edição de janeiro/março da revista "Fisioterapia em Movimento", a obesidade contribui “para alterações no fluxo ventilatório, ocasionando, em geral, distúrbios restritivos, o que em consonância a outros fatores determinantes favorece a morbidade e mortalidade".
Tais alterações podem levar aos seguintes problemas, diz o texto escrito pela fisioterapeuta Elisa Sonehara e sua equipe: “redução do volume de reserva expiratório (VRE), diminuição da complacência pulmonar e torácica levando a quadros de dispnéia (dificuldade de respirar), em função do acúmulo de gordura na região abdominal, provocando a compressão diafragmática e consequentemente dificultando a movimentação da caixa torácica na inspiração".
O estudo investigou se um programa de reabilitação pulmonar era capaz de melhorar as funções respiratórias e, consequentemente, levar a um aumento da qualidade de vida de pacientes obesas. Para tanto, foi ministrado um programa de 12 semanas para 20 mulheres obesas sedentárias residentes em Natal (RN). O acompanhamento consistiu de aquecimentos e alongamentos, exercícios físicos para fortalecimento de membros superiores e inferiores e melhor condicionamento aeróbico, além de sessões de relaxamento.
Ao fim do trabalho, os autores identificaram uma melhora significativa nas funções respiratórias, como na mobilidade torácica e pressão inspiratória e expiratória máxima. Foi aumentada também a percepção das pacientes sobre qualidade de vida relacionada ao estado geral de saúde, incluindo saúde mental, além de aspectos sociais e emocionais.
Segundo os autores, o estudo é consoante com uma pesquisa anterior que buscou avaliar a relação entre qualidade de vida e atividade física. “Os resultados demonstraram que os domínios capacidade funcional, aspectos físicos, dor, vitalidade, estado geral da saúde, aspectos sociais e saúde mental apresentaram diferenças significativas no grupo feminino (de participantes que praticavam musculação há três meses, comparado com grupo controle pouco ativo), o que é semelhante ao resultado observado no presente estudo", concluem.
Assim, não é surpresa o surgimento de novas academias de ginástica e de clínicas especializadas na reeducação alimentar {comer menos e de maneira mais saudável} nas grandes cidades. E a Baixada tem atraído investidores que perceberam que a luta contra a balança e os qulinhos a mais é um bom negócio, tanto para quem está no "tatame" malhando, como para quem apostou numa atividade econômica de sucesso comprovado. Esse estudo feito no Rio Grande do Norte pela fisioterapeuta Elisa Sonehara e sua equipe demonstra que ajudar homens e mulheres a praticar atividades físicas e melhorar o seu desempenho pulmonar, além do seu alcance social e em favor de uma vida mais saudável, ainda pode ser um grande negócio, tanto para micro como para pequenas empresas.


