CIDH pede identificação de responsáveis pelo assassinato de cinegrafista da Band
- nov 14, 2011
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), sediada em Washington, nos Estados Unidos, pediu às autoridades brasileiras, na tarde de ontem (quinta-feira, dia 10) que identifiquem e levem à Justiça os responsáveis pelo assassinato do repórter cinematográfico Gelson Domingos da Silva, que morreu atingido por um disparo enquanto cobria uma operação policial na favela Antares, zona oeste do Rio de Janeiro. A CIDH é uma das duas entidades que integram o Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos, junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos. É composta por sete juristas eleitos por mérito e títulos pessoais, e não como representantes de nenhum governo, mas representam aos países membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).
A relatoria para a liberdade de expressão da CIDH pediu, em um comunicado, "que se proceda a uma investigação exaustiva que leve à identificação dos responsáveis pelo crime cometido contra (Gelson) Domingos da Silva e à sua captura, indiciamento e condenação". Domingos, repórter cinematográfico de 46 anos, da emissora de TV Bandeirantes, acompanhava, no domingo passado (6 de novemro), um destacamento de policiais que fazia operação contra traficantes da comunidade, quando levou um tiro no peito e morreu antes de chegar a um posto de atendimento médico. A CIDH elogiou os esforços dos policiais para socorrer o jornalista e o fato de ter sido iniciada uma investigação sobre o crime. A cobertura de operações como esta pela imprensa "é de enorme importância para a sociedade" e por isso os jornalistas devem receber "um treinamento adequado e a devida proteção, tanto por parte do Estado quanto das empresas de comunicação para as quais trabalham", acrescentou
Missa em Duque de Caxias
Os jornalistas de Duque de Caxias, através da Associação Caxiense de Imprensa Escrita e Falada (ACIEF), marcaram uma missa de 7º dia para o cinegrafista, que será celebrada na segunda-feira (dia 14), às 19h, na Catedral de Santo Antonio, na avenida Governador Leonel Brizola (antiga Presidente Kennedy) nº 1861, centro, Duque de Caxias - RJ. O profissional produziu vários trabalhos em Duque de Caxias para a TV Brasil, onde também trabalhava, com enfoque em personagens históricos e monumentos da cidade, como o lendário Tenório Cavalcanti e a educadora Armanda Álvraro Alberto, criadora da Escola Mate com Angu. Na manhã da última segunda-feira (7), a Câmara de Duque de Caxias realizou uma homenagem ao profissional, com um minuto de silêncio, durante a realização de uma audiência sobre os problemas relacionados à segurança pública na cidade, evento que reuniu representantes do Legislativo e do Executivo e das polícias Militar e Civil.
- Não podemos deixar de manifestaar nosso protesto quanto ao descaso e a negligência para com aqueles que tem a missão de levar informação ao povo. Não podemos aceitar também a não apuração da morte de diversos profissionais de imprensa que infelizmente acompanhamos no noticiário nacional – disse o jornalista e advogado Wilson Gonçalves. "É dever do Estado garantir a vida de todos. Os profissionais da imprensa, ao participarem de operações policiais, também devem ser protegidos, o que não ocorreu com o Gelson, que ficou encurralado por traficantes, por falha gritante no planejamento da operação policial, semfalar no uso de um colete inadequado fornecido pela empresa. Aquele tiro fatal feriu também todo o povo e a sociedade em geral. É preciso pensar e discutir uma imprensa livre e segura", completou Wilson, ex vice prefeito e ex vereador no município.
Gelson, que exercia a profissão com grande paixão, ganhou o Prêmio Wladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos no ano passado, pela TV Brasil, com o documentário “Pistolagem: Tradição ou Impunidade?", apresentado no programa “Caminhos da Reportagem", trabalho do qual participaram também o repórter Paulo Garritano e o auxiliar Carlos Alexandrino. O programa foi exibido em novembro de 2009. Ao lado da jornalista Eliane Benício, produziu também algumas reportagens de caráter histórico-cultural em Duque de Caxias nos dois últimos anos, onde, com sua descontração e muito bom humor, conquistou alguns amigos.


