Ações da Alerj trouxeram alerta para que prédio histórico fosse retirado da lista de imóveis em leilão do Ministério da Economia
Parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) estiveram presentes à manifestação contra a venda do Palácio Gustavo Capanema, localizado no Centro do Rio, no final da tarde da sexta-feira (20/8).
No início da semana, o histórico prédio, que já abrigou o Ministério da Cultura, foi colocado na lista de imóveis que entrariam em leilão pelo Ministério da Economia. No entanto, após mobilização de setores da sociedade, o ministro Paulo Guedes já informou que o prédio não será mais vendido.
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Desde a divulgação da venda do histórico prédio, a Alerj tem se mobilizado com ações contrárias à sua alienação, como uma moção de repúdio à venda do prédio e uma representação contra a venda no Ministério Público Federal (MPF). O presidente da Alerj, André Ceciliano (PT), também apresentou o projeto de lei 4.640/21, que determina o tombamento do Capanema por interesse histórico e cultural do estado do Rio. Nacionalmente, o prédio já é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), mas segundo Ceciliano apresentar essa proposta é marcar posição em defesa do patrimônio nacional.
Com relação aos outros prédios anunciados para leilão, como o anexo da Biblioteca Nacional e o Prédio da Central do Brasil, a Alerj propôs a criação de uma comissão mista para tratar do assunto. A decisão foi anunciada após reunião realizada na última quarta-feira (18/08), no Palácio Tiradentes, com o presidente da Casa, deputado André Ceciliano (PT), o governador Claudio Castro e representações acadêmicas e institutos ligados à arquitetura, engenharia e à arte.
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Uma das organizadoras do evento, Paula Maracajá, do Grupo de Trabalho Jurídico Ocupa MinC, disse que é importante saudar a valorização do espaço Capanema. “Manter o espaço aberto perpassa por uma luta nacional de constante resistência. Ele tem atribuições que a gente não pode reduzir. O prédio, com todo o acervo que existe, ainda não dá conta do valor patrimonial que a gente perdeu ao longo das últimas décadas. O patrimônio nacional está escorrendo pelos nossos dedos. O Capanema é uma representação simbólica para causarmos ações jurídicas", afirmou.
Diversos movimentos sociais estiveram no ato. O representante do Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Garrido, declarou que é importante unificar os movimentos. “Estou aqui porque nosso sindicato é muito plural e defendemos um projeto de nação que reduza as desigualdades sociais e que avance na educação, na ciência e na cultura", concluiu.
O Capanema
O Palácio Capanema, inaugurado em 1947, é considerado um marco no estabelecimento da Arquitetura Moderna Brasileira. É conhecido também por Edifício Gustavo Capanema em homenagem ao seu idealizador. O Palácio foi projetado por Lucio Costa, Carlos Leão, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos e Jorge Machado Moreira, com a consultoria do arquiteto franco-suíço Le Corbusier.
Esse fato, somado à forma como o prédio foi idealizado, aumentou a importância histórica do Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde Pública durante o governo Getúlio Vargas. O palácio, cujo prédio tem 16 andares, é considerado símbolo do modernismo e se destaca por ser a primeira realização mundial da curtain wall — fachada envidraçada orientada para a face menos exposta ao sol.
Em 1943, o Palácio Capanema foi escolhido o edifício mais avançado do mundo, em construção, pelo Museu de Arte Moderna de Nova York. A fachada é revestida com azulejos de Cândido Portinari e tem jardim de Burle Marx. Além disso, é a obra brasileira mais citada em livros de arquitetura, mundo afora, como o primeiro edifício monumental do mundo a aplicar diretamente os conceitos da Arquitetura Moderna de Le Corbusier.



