A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), de reduzir em meio ponto percentual a taxa básica de juros, não significa, na opinião de cientistas políticos, uma ingerência excessiva do governo no Banco Central (BC). “Não vejo por onde ela [a presidente Dilma Rousseff] esteja fazendo pressão exagerada sobre o Banco Central, a não ser o fato de dar opinião favorável à queda, o que está no direito de qualquer governante", diz Renato Boschi, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp/Uerj). Autor do livro ‘O Banco Central Brasileiro? O Leviatã ibérico", a ser lançado mês que vem, Eduardo Raposo não considera que a redução inédita de meio ponto percentual, depois de três altas na taxa de juros, possa representar uma ameaça à credibilidade do BC. “No momento em que há necessidade de investimento, de crescimento econômico, normalmente quem ganha é o BNDES. Mas quando é hora de arrumar a casa e espantar as ameaças de processo inflacionário, é o BC quem vence', diz.
Esta foi a primeira vez no ano que o BC decide baixar a Selic. Segundo a diretoria do banco, os atuais índices de inflação não comprometem as metas do governo em relação aos reajustes de preços. "Tendo em vista indicações recentes de redução do risco de desvio da inflação em relação às metas, o Copom decidiu reduzir a Selic", informou por meio de nota. A queda de 0,25 ponto percentual foi bem recebida pelo setor produtivo. Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, a redução foi "positiva". "Ainda que modesto, o corte de 0,25 ponto percentual significa a retomada do processo de juros, interrompido em janeiro último", disse.


