Parte de um antigo sobrado localizado no número 8 da Avenida Duque de Caxias, no centro da cidade, desabou após um incêndio na noite de quarta-feira (16), sem vítimas. As chamas, segundo moradores próximos do local, que teriam começado por volta das 21h, foram controladas por cerca de 60 bombeiros do Quartel de Duque de Caxias. Eles foram obrigados a abrir um buraco na parede do imóvel para combater as chamas. A Defesa Civil Municipal foi acionada e interditou a área atingida. Máquinas da Secretaria de Obras do município e operários retiraram os escombros durante a quinta-feira. No final do dia, o local foi cercado por tapumes pela Defesa Civil, que vai avaliar se as outras três lojas no térreo e alguns escritórios no 2º andar não atingidos ficaram comprometidos, assim como outra edificação que faz parede com o imóvel, na Rua Correia Meier. A ocorrência foi registrada na 59ª DP.
O sobrado foi erguido no final dos anos 40 e abrigava no térreo uma assistência técnica eletrônica. No segundo pavimento, funcionavam escritórios de advocacia e contabilidade, além da sede da Associação Nacional dos Anistiados Políticos Aposentados e Pensionistas (Anapap). Segundo Cleiton Luiz de Souza, advogado da entidade, parte do acervo de documentos, como fichas pessoais, entrevistas e outros papeis dos anistiados, foi consumida pelas labaredas. “Tínhamos depoimentos de presos políticos da Baixada e do restante do Brasil, muitos já mortos. Esses depoimentos seriam utilizados para as reparações", explicou. Segundo ele, a entidade aguarda a liberação do local pela Defesa Civil para acessar o que restou. O presidente da entidade, Nilson Venâncio, encontrava-se em Brasília na noite do incêndio.
Ainda nesta segunda-feira (28), profissionais liberais continuavam aguardando a liberação do outro acesso ao segundo pavimento para resgatar documentos e informações sobre processos de clientes. Eles reclamaram da demora e informaram que, com a cópia do Boletim de Ocorrência na polícia, estão agilizando em vários órgãos da justiça novos prazos para seus clientes mediante os inúmeros processos a eles afetos. Ainda na noite de quinta-feira, eles denunciaram a invasão do local por usuários de crack.
Alguns populares que passavam próximo do local ficavam surpresos com o ocorrido. Felisbela Teixeira Vale, de 68 anos, lamentou o desabamento do prédio. Moradora do bairro Corte Oito, ela disse que morou próximo ao prédio incendiado por muitos anos. “Vim de Portugal em 1957 e sempre morei aqui. Quando cheguei em Duque de Caxias este prédio já existia. Nunca imaginei que pudesse ver isso do jeito que está. É uma pena que isso tenha acontecido", disse à reportagem. O universitário Felipe Assunção argumentou que essa é a oportunidade que a cidade tem para redesenhar o traçado do local, acabando definitivamente com a curva de 45 graus próximo ao Mergulhão. “Isso era para ter sido resolvido quando fizeram essa polêmica obra. Mas resolveram deixar para depois e ficou do mesmo jeito", desabafou o estudante.


