O anúncio de medidas para dar suporte ao setor cafeeiro, que atravessa uma crise, não ocorreu nesta segunda-feira (5), conforme havia sido anunciado pelo governo e era esperado pelos cafeicultores. O ministro da Agricultura, Antônio Andrade, compareceu à coletiva de imprensa convocada para detalhar as ações para informar que a divulgação ocorrerá somente ao longo da semana. O anúncio pode ocorrer nesta quarta-feira (7), em visita da presidenta Dilma Rousseff a Varginha (MG). O adiamento revoltou os produtores rurais, que reivindicam estímulos para a safra há algum tempo.
Presente ao evento em que seria feita a divulgação, o engenheiro agrônomo e produtor de café Flávio Bahia, vice-presidente da Câmara do Café das Matas de Minas, disse que a colheita está terminando e que o grão está sendo vendido a preço muito baixo. “[A saca] foi vendida [por] em torno de R$ 240, R$ 250. O custo de produção chega a R$ 360, R$ 370. E o governo lançou um preço mínimo de R$ 307. Nós vamos pagar para trabalhar?", questionou o cafeicultor, que declarou ter viajado 1,2 mil quilômetros para acompanhar o anúncio das medidas para o setor em Brasília.
Carlos Paulino, presidente da Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), do sul do estado de Minas Gerais, disse que os cafeicultores da região também estão tendo prejuízo. O governo sofreu desgaste com o setor cafeeiro em maio, quando, em lugar do preço mínimo reivindicado de R$ 340 para a saca de 60 quilos do café arábica, fixou o valor em R$ 307. Os produtores alegam que a quantia não cobre os custos de produção e aguardam o anúncio do pacote de medidas para compensar o patamar insatisfatório, entre elas, financiamento para retenção de safra. De acordo com Flávio Bahia, os produtores de café desejam também anistia ou prorrogação de suas dívidas por um período de 20 anos.


