O Brasil não será o mesmo depois do “tsunami" chamado Francisco. Ao convocar os jovens a saírem às ruas no trabalho diário de evangelização, o Papa Francisco recomendou que eles não temam a Corrupção, que tira dos mais pobres para benefício de meia dúzia. E o dinheiro roubado em esquemas fraudulentos e obras desnecessárias acabam fazendo falta na Saúde, na Educação, no Saneamento, no Meio Ambiente. É inaceitável que o Brasil, que produz aviões, carros de luxo e até navios, ainda tenha de conviver com 7,2 milhões de patrícios que vivem em casas sem banheiro, o que agrava o problema sanitário na periferia de grandes e médias cidades.
O Papa Francisco revelou que sabia de longa data que o carioca detesta chuva e frio, mas que o espetáculo de milhares de pessoas, na maioria cariocas, reunidas na Praia de Copacabana demonstrava que o carioca está mudando, que o Brasil está mudando e que as manifestações das ruas devem servir de alerta às autoridades da imensa dívida em matéria de eficiência e seriedade no trato das coisas públicas. E ele foi direto no problema da violência ao lembrar que não existe a tão sonhada segurança em comunidades onde faltam médicos, escolas, coleta de lixo, áreas de lazer para que crianças e jovens se desenvolvam completamente e em condições de enfrentar o futuro com um mínimo de conhecimento, num mundo em que está mudando muito rapidamente em matéria de tecnologia, de comunicação e da ciência aplicada ao dia a dia do cidadão comum.
O Sumo Pontífice lembrou que é dever de todos os cristãos olhar para o próximo com carinho, com atenção e solidariedade. O saudoso jornalista Joelmir Betting costumava lembrar que o ponto fraco de uma corrente era exatamente o seu elo mais fraco. Assim, nenhuma sociedade é socialmente justa e politicamente estável se parte de seus integrantes vive próximo ou abaixo da linha de pobreza.
O Papa incitou os governantes a investirem em programas efetivos de erradicação da pobreza como tarefa principal de sua administrações. O combate à pobreza extrema deve ser um ponto de honra de todos os países e os jovens, pela sua disposição e desprendimento não podem ficar de fora desse movimento em prol da dignidade humana. Não basta simplesmente ira para a Imprensa e confessar que ouviu o ruído das ruas, se, na prática, não é feito para atender aos justos reclamos de milhões de pessoas.
As últimas pesquisas, revelando a descrença do cidadão nos políticos e na política que se exercita no Brasil, deve servir de alerta, pois as cobranças virão em 2014. Já não há mais espaço para a campanha do par de sapados: um pé antes e o outro depois das eleições. O povo não quer caridade, mas respeito!
Não quer novas promessas, mas o cumprimento das que foram feitas nas eleições passadas, a começar pelo combate sem trégua à corrupção e a inação diante de tragédias como por exemplo os desmoronamentos da Ilha Grande, da Região Serrana, de Niterói e de Xerém, tragédias anunciadas, mas que nossos governantes simplesmente guardaram num velho arquivo.


