Um dos temas discutidos nas passeatas que sacodem o Brasil há mais de 15 dias é o combate à corrupção. E o povo reclama, com justos motivos, que a nossa Justiça é lenta e ineficiente. No caso do deputado federal Natan Denadon, por exemplo, foram precisos 18 anos para que o processo tivesse um desfecho e o parlamentar fosse preso por peculato, crime praticado quando Donadon era diretor da Assembleia Legislativa de Rondônia. Esse fato se torna mais inusitado pois é a primeira vez que o Supremo, instituição que chegou ao Brasil junto com a família real portuguesa, julga, condena e manda prender um parlamentar no exercício de mandato.
Na última quarta-feira (26), tomou posse o novo ministro do STF, o constitucionalista Luís Roberto Barroso, em substituição ao ministro Carlos Ayres Britto, alcançado pela expulsória por haver completado 70 anos de idade. Segundo noticiário distribuído pela Agência Brasil, do Governo Federal, ao assumir o cargo de ministro do STF, Luís Roberto Barroso foi nomeado relator de mais de 7,6 mil processos. Ele herdou o gabinete de seu antecessor, Ayres Britto, que por peculiaridades regimentais do STF tinha muitos processos do atual presidente da Corte, Joaquim Barbosa. Barroso terá sob a sua responsabilidade 11,5% do total do acervo do Tribunal, formado por 11 ministros.
Barroso será o responsável por duas ações penais que estavam sob a relatoria de Joaquim Barbosa relativas ao episódio conhecido como mensalão mineiro. Segundo denúncia do Ministério Público, foram desviados R$ 3,5 milhões de verbas públicas em Minas Gerais para pagar campanhas eleitorais, em procedimentos intermediados pelo publicitário Marcos Valério. Na ação, o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) é acusado de cometer os crimes de peculato e lavagem de dinheiro enquanto tentava a reeleição ao governo de Minas, em 1998. Na outra ação penal, o senador Clésio Andrade (PMDB-MG), que concorria a vice na chapa de Azeredo, responde pelos mesmos crimes. Barroso também concluirá, como relator, o julgamento da ação que reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo. O processo foi julgado em maio de 2011 com o reconhecimento do direito a casais homossexuais, mas houve recurso da Associação Eduardo Banks ainda pendente de análise. O processo tinha Ayres Britto como relator.
Outro processo herdado por Barroso, desta vez na área eleitoral, tem o questionamento do DEM sobre validade de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que definiu que os partidos não podem receber votos dos candidatos com registro indeferido após eleições. Os ministros entenderam que a medida pode evitar o fenômeno dos chamados puxadores de votos, que depois sairiam da disputa elegendo desconhecidos. O relator era o ministro Joaquim Barbosa. Barroso também ficará com a relatoria de um dos processos que questionam o pagamento de pensão a ex-governadores. As ações foram protocoladas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra leis vigentes em vários estados do país. O ministro ficará com o caso de Sergipe, que estava sob a relatoria de Ayres Britto. O processo estava pronto para ser votado, mas precisou ser retirado de pauta com a aposentadoria do ministro, em novembro do ano passado.
Barroso já adiantou que passará o recesso de julho estudando direito penal, no qual admite não ser especialista, e a Ação Penal 470, o processo do mensalão. Está previsto para ocorrer no segundo semestre o julgamento dos primeiros recursos dos condenados. Como é o mais novo ministro da Corte, Barroso é o próximo a votar depois do relator Joaquim Barbosa e do revisor Ricardo Lewandowski.


