Talvez para fazer borbulha e ganhar espaço na Mídia, a Comissão da Reforma Política criada no Senado já anunciou as duas primeiras propostas de mudança do nosso Sistema Eleitoral, enquanto o baixo clero discute a implantação, ou não, do “Distritão", defendido pelo PMDB, ou o financiamento das campanhas eleitorais com dinheiro do Tesouro, como que o PT sob o espinhoso e insincero pretexto de combater a utilização do famoso “Caixa Dois" nas campanhas eleitorais.
Das duas primeiras sugestões produzidas por inseminação artificial no interior da Comissão da Reforma Política, uma não oferece maiores perigos ou contestação, que á a mudança da data de posse do Presidente da República do dia 31 de dezembro, data consagrada à “Confraternização dos Povos", excluídos os que moram na Faixa de Gaza, no Iraque, na Líbia, na Xexênia, no Nepal, na China e em outros países com costumes exóticos aos olhos dos brasileiros.
A segunda sugestão vai gerar muito calor nas discussões em bares e sindicatos, mas difícil de passar no plenário de Câmara e do Senado: o fim da reeleição! Cria do Governo FHC, que alegava que, para garantir a implantação do “Plano Real" e dos programas dele derivados com vista ao desenvolvimento econômico sustentado e a globalização da economia, havia necessidade de um segundo mandato, que seria a consolidação do governo anterior, ao mesmo tempo que serviria como um teste da competência do Governo em termos de popularidade e aprovação do Povo.
Com o governo dividido fraternalmente entre o PSDB de o DEM e o sucesso do Plano Real na vida do cidadão comum, derrubando a inflação e colocando o frango na mesa do pobre, ao contrário da previsão do PT (que acusava o governo de estelionato eleitoral), a reeleição de FHC foi um “vareio", principalmente porque o PT continuava com a mesma política isolacionista, avesso às coligações e a partilha do poder com outros partidos, além de bater num programa que o povo reconhecia como uma conquista, a vitória sobre a inflação [em março de 1985, véspera da posse de Collor chegara a 85% em apenas 15 dias] a ascensão social e o aceso a bens de consumo, como geladeiras, máquina de lavar roupas, carros, telefones e outras quinquilharias menos importantes para a economia do País.
Com a vitória de Lula em 2002, depois de uma mudança radical do PT, que resolveu abrir-se para coligações com partidos afins, a reeleição voltou a freqüentar reuniões de pequenos grupos, principalmente com a desenvoltura com que os petistas anunciam um programa de governo para os próximos 25 anos, o que incluía a reeleição de Lula em 2006 e a eleição em 2010 de alguém ligado a ele (no caso, foi Dilma Rousseff), de forma a permitir que o ex metalúrgico do ABC voltasse ao Poder em 2014 ou, no máximo, em 2018.
O que o afoito PT não contava é que a fila anda e outros partidos surgiram no palco político, reclamando um lugar ao sol de Brasília, enquanto a confederação que se reúne no PMDB ganhou força e luz própria para pensar em ter um candidato viável em 2014, se Dilma não puder - por razões políticas ou pessoais - disputar a reeleição. Com um mandato de 5 anos, como já ocorreu com o próprio José Sarney, seria palatável para os demais concorrentes a extinção da reeleição, que vive atrapalhando a relação de prefeitos com vereadores e secretários, de governadores com senadores e deputados, e do próprio presidente da república com seus principais aliados. Aqui mesmo no Rio de Janeiro temos a relação entre Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, o primeiro tentando viabilizar uma chapa “puro sangue", enquanto o alcaide carioca topa qualquer negócio para tentar a reeleição, inclusive ceder a vaga de vice para uma das correntes do PT.
Ninguém, porém, terá condições de responder se a manutenção, ou não, da reeleição resolverá os problemas que o Pais tem pela frente, como as precárias condições de portos e aeroportos, tanto no comércio exterior, como na atração de turistas, do transporte público, onde a prevalência do automóvel sobre o transporte de massa desvia recursos, que deveriam beneficiar o transporte ferroviário, rodoviário e aquaviário, para obras suntuosas de pouca valia do ponto de vista social, como abertura de novas avenidas, de túneis ou a construção de viadutos ou estacionamentos.


