Em 2009, diante da possibilidade de voltar a ser pobre, o empresário Senor Abravanel, mais conhecido pelo codinome Silvio Santos, resolveu ir ao Palácio onde morava o seu amigo e protetor Lula - também conhecido como “Coração de Mãe", por perdoar todas as falcatruas de velhos amigos - em busca de alguns milhões que evitassem a falência do seu banquinho, que emprestava dinheiro a clientes caloteiros.
O bondoso Lula não teve dúvidas em ajudar o amigo-empresário e mandou que a Caixa comprasse, por R$ 756 milhões, uma pequena parte do banquinho e assumisse o comando das operações. Em pouco mais de um ano, uma nova auditoria descobria que o rombo passava da casa dos R$ 2,5 bilhões. Foi preciso buscar ajuda de fora e uma conhecida empresa privada, especialista em salvar empresários endividados, topou comprar o resto do banco pela mixaria de R$ 450 milhões, desde que a Caixa assumisse o compromisso de “cobrir" todo e novo rombo que viesse a ser descoberto.
Como garantia, a tal empresa exigiu ficar com papéis de créditos do banco, principalmente junto à Receita Federal, que é um leão para cobrar imposto do povão, mas morre de medo de fiscalizar e multar grandes empresas e seus donos. Até agora, a Caixa já empenhou mais de R$ 8 bilhões para tentar salvar o tal banquinho, enquanto seu antigo dono possa por de sorridente apresentador de TV e continuar divulgando as alegadas proezas do Governo.
Enquanto isso, uma rede de milhares de pequenos empresários, que acreditam piamente nas promessas do Governo - qualquer Governo - topou ampliar os seus negócios, que apenas vendia apostas em jogos da Caixa, passando a operar como correspondente bancário da estatal, fazendo pagamento de aposentadorias e pensões, de bolsa família e até recebendo pagamento de boletos bancários em nome de outras instituições. Por medida de precaução e segurança, a Caixa limitou a R$ 1.000,00 as operações feitas diariamente com cada cliente, isto é, a Caixa não confia na rede de correspondente e eles só podem pagar ou receber contas até aquele limite.
Como a propaganda diz que o País está crescendo, os donos de casas lotéricas tiveram a péssima idéia de pedir à Caixa que dobrasse o limite de operações com cada cliente, principalmente pelo fato do salário mínimo ter sido elevado para a estratosférica quantia de R$ 545 reais por mês, dinheiro que aposentados e pensionistas costumam utilizar para pagar contas de telefone, luz, água, gás, carnês de eletrodomésticos e outros despesas.
Com medo do crescimento das lotéricas, que poderiam fazer frente aos grandes bancos, a Caixa propôs reduzir o limite das operações para apenas R$ 700 reais por cliente. Como a lotéricas ganhavam um pequeno percentual na venda de apostas dos jogos bancados pela própria Caixa, o prejuízo desse negócio sazonal e sempre envolto em escândalos, como ocorreu com a manipulação dos jogos da Loteria Esportiva em 1981, poderia ser compensado pela comissão de cobrança das contas, principalmente das concessionárias de serviços públicos e carnês e boletos bancários. A resposta da Caixa, contra-propondo a redução dos limites das operações bancárias, revelou uma outra e cruel face da instituição, que está completando 150 anos de fundação.
Na verdade, a Caixa Econômica Federal hoje opera como um moderno e sofisticado “Robin Hood", com sinal invertido, pois pretende tirar dos pequenos empresários para garantir o lucro dos grandes banqueiros, sempre tão solícitos em financiar campanhas políticas de candidatos ligados ao Governo, em todos os Estados e em qualquer campanha eleitoral! O caso do caseiro de Brasília, que teve o seu sigilo bancário quebrado direção da Caixa para tentar salvar a imagem do então Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que ficou impune, é bem um exemplo do que podem os poderosos, quando se trata de por a salvo os seus interesses.


